Chilenos sofrem com a falta de informações em aeroporto de SC

Portal Terra

DA REDAÇÃO - Chilenos que passam férias em Florianópolis e estão impedidos de retornar ao país reclamam da falta de informações e de uma previsão para volta ao Chile, atingido por um terremoto de 8,8 graus na Escala Richter no sábado. Somente na capital catarinense, doze vôos foram suspensos, sendo seis chegadas e outros seis embarques com destino à cidade de Santiago.

As companhias estão informando os turistas por telefone e providenciando estadia em Florianópolis até que os aeroportos sejam reabertos no Chile. Mesmo assim, a movimentação de chilenos foi intensa durante todo o sábado no aeroporto Aeroporto Internacional Hercílio Luz. Muitos dos turistas procuraram os balcões da Infraero ou das companhias aéreas para obter maiores informações sobre a situação após o terremoto, permanência no Brasil, hospedagem e data prevista para retorno.

"Eu não consegui falar com o meu pai. Falei com todo o restante da minha família, mas ninguém conseguiu localizá-lo ainda", disse Andrea Vera, que mora em Santiago. "Sabemos que tudo está um caos, toda a cidade enfrentando problemas de energia, telefone e risco de que mais casas venham a desabar".

A turista Romina Menares destacou que embarcaria num vôo da Sky Airlines para o Chile na madrugada deste domingo. Como já sabia da suspensão de operações áreas devido ao terremoto, procurou saber o que deveria fazer com a hospedagem. "Nem eles sabem ao certo. Pediram para que estivéssemos aqui no horário de embarque e então seria providenciado um local para dormirmos".

As duas disseram ser "inevitável" a espera e lamentaram a falta de informações. "A gente tem que enfrentar com bom humor, na medida do possível. Ninguém tem culpa do terremoto", disse Menares. "O problema é que poderiam dar uma assistência melhor, ter algum representante de Consulado ou das companhias aéreas que nos dissessem o que fazer. Voltamos para o hotel e esperamos?".

Neste domingo, outros seis embarques e desembarques seriam realizados entre Santa Catarina e Santiago do Chile. "Estou desesperado para voltar para casa e ver meus familiares. Vou tentar ir de ônibus ainda neste domingo", disse o estudante Felix Hernán, 23 anos, que passa férias em Canasvieiras. "Eu iria embora somente na outra semana, mas não posso continuar sem notícias".

Tragédia no Chile

Centenas de pessoas morreram após o terremoto de 8,8 graus na escala Richter registrado na madrugada de sábado (27) no Chile. A contagem de corpos pode passar de 300, e o número de afetados, de 2 milhões, segundo o governo. A presidente Michelle Bachelet declarou "estado de catástrofe" no país.

O tremor teve epicentro no mar, a 59,4 km de profundidade, na região de Maule, no centro do país e a 300 km ao sul da capital, Santiago. Por isso, foi enviado um alerta de tsunami ao chile, Peru e Equador. Segundo fontes oficiais, o terremoto aconteceu às 3h26 pelo horário local (mesmo horário em Brasília). O número de vítimas mortais e de feridos pode aumentar.

Efeitos do estrago

Os danos materiais do terremoto ainda estão sendo avaliados. O muro de uma prisão veio abaixo com o abalo sísmico, o que causou a fuga de mais de 200 detentos na cidade de Chillán, a 401 quilômetros de Santiago. O aeroporto internacional de Santiago foi fechado devido a alguns danos em suas instalações, e várias pontes ficaram danificadas. A luz e o serviço de telecomunicações estão cortadas na região metropolitana e em Valparaíso foram registrados danos internos em edifícios. Os bombeiros correm as ruas de Santiago com megafones dando instruções à população.

Em alguns lugares, falta água potável. Pelo menos três hospitais na capital desabaram e na cidade de Concepción, cerca de 400 km ao sul de Santiago, o edifício do governo local desmoronou e pacientes estavam sendo transferidos dos hospitais, segundo rádios chilenas.

Mais forte que no Haiti

O movimento sísmico, muito mais poderoso que o mortífero terremoto que devastou o Haiti em janeiro, também causou pânico no popular balneário de Viña del Mar. De manhã, policiais e bombeiros percorriam as ruas em distintas cidades do país para verificar a magnitude dos danos e socorrer vítimas.

O terremoto ocorreu poucos dias antes de completar 25 anos do sismo que causou centenas de vítimas e destruiu várias localidades no litoral central do Chile, em 3 de março de 1985.