Bachelet anuncia 708 mortos e decreta 'estado de exceção'

Agência AFP

SANTIAGO - A presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou neste domingo que ao menos 708 pessoas morreram no terremoto e posterior tsunami que atingiram o Chile na madrugada de sábado, e declarou "estado de exceção de catástrofe" nas zonas mais afetadas.

"Há um número crescente de pessoas desaparecidas", disse Bachelet após presidir uma reunião do Comitê de Emergências, indicando assim que o balanço de vítimas ainda deve aumentar.

Dos 708 mortos, pelo menos 541 estão na região de Maule, cerca de 300 km a sul de Santiago, cuja área costeira foi varrida por um tsunami, revelou a presidente.

Bachelet informou que nas zonas de Maule e Maule foi decretado o "estado de exceção de catástrofe" por 30 dias, para "garantir a ordem pública e acelerar a entrega de ajuda".

Para cumprir a medida, a presidente anunciou o envio de uma força policial à região, cujo efetivo não foi divulgado.

O ministro da Marinha, Francisco Vidal, admitiu que houve um erro das autoridades por descartar, inicialmente, o tsunami na costa do Chile.

"Foi um erro", disse Vidal após participar da reunião do comitê de emergência, realizada no Palácio de La Moneda.

A Marinha "cometeu um erro ao não alertar para o tsunami, mas por sorte (...) foi ativado um sistema que a própria unidade tem e isto ajudou a salvar centenas, talvez milhares de pessoas".

"Com este sistema, apesar do erro de diagnóstico, foi possível avisar a população, que subiu para as colinas (...) Sem este aviso, teríamos que lamentar mais vítimas", explicou.

Logo após o terremoto, que ocorreu às 03H43 local de sábado (03H34 Brasília), Bachelet descartou a ocorrência de tsunami na costa chilena e pediu calma à população, mas ondas gigantes varreram uma ampla zona costeira das regiões de Maule e Biobío, próximas ao epicentro do tremor.

Na declaração feita neste domingo, Bachelet anunciou ainda que determinou a distribuição gratuita de alimentos e gêneros de primeira necessidade à população nas zonas devastadas, onde tem ocorrido saques a supermercados.

"Vamos garantir a distribuição gratuita de todos os produtos de primeira necessidade" nas zonas afetadas, prometeu a presidente ao manifestar sua preocupação com os saques, especialmente na cidade de Concepción, 500 km ao sul de Santiago, uma das mais atingidas pelo terremoto.

Neste domingo, a polícia agiu para evitar saques em Concepción, incluindo ao supermercado Líder, em pleno centro da cidade.

A TV estatal exibiu imagens de policiais utilizando jatos d'água para dispersar centenas de pessoas que tentavam saquear o supermercado.

Em Concepción, o comércio não funciona desde o terremoto, e a população começa a sentir os efeitos do desabastecimento de água e alimentos.

Segundo a prefeita da cidade, Jacqueline Van Rysselberghe, "se não conseguirmos resolver hoje (domingo) o problema da comida, teremos uma situação muito complicada".