Lula: Brasil se subordinará ao Haiti

Joana Duarte , Jornal do Brasil

PORTO PRÍNCIPE - Após sua passagem por Cuba, em pleno clamor internacional pela morte de um preso político em greve de fome na Ilha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve quinta-feira no Haiti, e se limitou a discursar ao lado do colega haitiano, René Preval, cancelando uma entrevista coletiva prevista na agenda. Lula disse que o Brasil fará tudo o que for possível para fortalecer o governo de Preval, após o terremoto que devastou Porto Príncipe em 12 de janeiro. A curto prazo, a prioridade é criar acampamentos para até 100 familias, um pedido do presidente haitiano, que teme a iminente temporada de chuvas e a ocorrência de tumultos se os acampamentos forem grandes.

Nos subordinaremos à orientação do Haiti. Não viemos para fazer as coisas do jeito que a gente quer. Toda a ajuda do Brasil será por meio do governo haitiano disse Lula.

Segundo Preval, a população local quer ficar nos bairros que ocupava antes do terremoto, sendo necessário remover o entulho com escavadeiras emprestadas do Brasil, República Dominicana e EUA para construir os acampamentos.

Durante as cinco horas em Porto Príncipe, Lula sobrevoou a capital de helicóptero para ter uma visão geral dos danos causados pelo terremoto, que matou entre 200 mil e 300 mil pessoas. Em seguida, dirigiu-se ao batalhão brasileiro da Missão de Estabilização das Nações Unidas (Minustah), e ouviu o comandante Ajax Peixoto quantificar a ajuda humanitária do Brasil, que distribuiu 3,2 milhões de quilos de alimentos em 40 dias, cerca de 80 toneladas diárias.

Saciamos a fome de aproximadamente 320 mil haitianos acrescentou Peixoto.

Distribuição à noite

Segundo o soldado brasileiro Marcelo Martins, que fazia a segurança do aeroporto para a chegada de Lula, a distribuição brasileira da ajuda humanitária é feita à noite, para evitar tumultos .

A ONU também optou pela distribuição noturna e entrega senhas diariamente às mulheres. Elas são as guardiães da ajuda humanitária diz Martins, acrescentando que os americanos ainda lançam suprimentos de aviões , o que contraria uma recomendação da ONU.

Nas ruas de Porto Príncipe, famílias inteiras preparam refeições em meio ao trânsito caótico. Vendedores tentam ganhar algum dinheiro comercialzando artesanato, sapatos usados e malas de viagem.