América Latina e Caribe criam novo bloco sem EUA e Canadá

Guillermo Barros , Agência AFP

CANCUN - Presidentes e chefes de governo de países da América Latina e do Caribe reunidos em Cancún, leste do México, aprovaram nesta terça-feira a criação de um novo bloco regional, sem os Estados Unidos, uma organização ainda sem nome e cujos estatutos serão definidos em Caracas, em 2011.

Este novo grupo "deverá, prioritariamente, impulsionar a integração regional com o objetivo de promover nosso desenvolvimento sustentável, estimular a agenda regional em fóruns globais, e ter um posicionamento mais unido ante os acontecimentos relevantes mundiais", disse o presidente do México, Felipe Calderón, ao ler parte da declaração final.

A criação do novo bloco "é de transcendência histórica. Cuba considera que estão dadas as condições para se avançar com rapidez na constituição de uma organização regional puramente latino-americana e caribenha", disse o líder cubano Raúl Castro, durante a sua participação na chamada 'Cúpula da Unidade' da região, realizada no México.

Oa estatutos, a organização interna e as eventuais cotas do novo mecanismo serão discutidos até a metade de 2011, quando ocorre a próxima reunião do novo grupo regional em Caracas.

Segundo Calderón, esta organização será formada pelos 33 países da região - incluindo Honduras, que não foi convidado a Cancún - e poderá se chamar "Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos".

"A região precisa de uma organização política forte que demarque sua posição internacional e se traduza em ações rápidas e eficazes, que promovam os interesses latino-americanos e caribenhos ante os novos temas da agenda internacional", esclarece outro parágrafo da Declaração de Cancún.

Quase todos os chefes de Estado da região compareceram ao encontro de Cancún, incluindo o haitiano René Preval, que recebeu manifestações de apoio devido ao terremoto que assolou seu país em janeiro.

A grande ausência foi a do presidente hondurenho Porfirio Lobo, que não foi convidado devido à suspensão de Honduras da Organização dos Estados Americanos (OEA) após o golpe de Estado de 2009.

A reunião também foi marcada por uma discussão entre os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Alvaro Uribe.

A briga, divulgada por um funcionário colombiano que pediu para não se identificar, aconteceu durante o almoço de segunda-feira que ocorreu a portas fechadas e começou quando Uribe reprovou a atitude de Chávez de impor um embargo comercial ao seu país.

"Seja homem, fique aqui porque às vezes você insulta quando está longe e quando estamos cara a cara não falamos", disse Uribe quando Chávez ameaçou abandonar a reunião, segundo o funcionário.

Alguns presidentes, em especial o cubano Raún Castro, intervieram para acalmar os ânimos.

Pouco depois, Uribe disse à imprensa que seu governo e o da Venezuela se comprometeram a "cessar as intervenções públicas que atrapalham" e a criar um grupo de países amigos "que ajudem a superar estas diferenças".

Esses conflitos "certamente afetam o processo de integração. Precisamos buscar uma forma de superá-los", afirmou à imprensa o presidente equatoriano, Rafael Correa.

A reunião também emitiu uma declaração que reafirma "o apoio aos legítimos direitos da República Argentina na disputa com o Reino Unido" sobre as Malvinas, segundo Calderón. O conteúdo exato da declaração será detalhado ainda nesta terça-feira.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, agradeceu na segunda-feira "o apoio que recebemos deste grupo aos nossos direitos legítimos" num momento em que Buenos Aires apresentou queixa contra a Grã-Bretanha pelo início das prospecções de petróleo nas ilhas Malvinas.