Justiça alemã reabre caso contra Videla

Jornal do Brasil

BERLIM - A Justiça alemã emitiu sexta-feira uma ordem internacional de prisão contra o ex-presidente argentino Jorge Rafael Videla, acusado da morte de um cidadão alemão desaparecido durante a ditadura argentina.

O caso foi arquivado em 2007, depois que um tribunal de Buenos Aires recusou-se a extraditar Videla, mas foi reaberto recentemente após a descoberta da ossada de Thomas Stawowiok.

A vítima era membro da União de Estudantes e ligado ao grupo guerrilheiro Montoneros. Ele desapareceu em 21 de fevereiro de 1978, aos 20 anos.

Os familiares do desaparecido voltaram a ter pistas dele há um ano e meio, depois que seu pai, Desiderius, foi contatado e viajou a Buenos Aires para verificar se um dos restos mortais achados em agosto de 2004 em uma vala comum era do filho.

Legistas compararam a ossada com o DNA de Desiderius. A confirmação de que os restos eram de Thomas levaram à primeira reabertura de uma investigação fundamentada em indícios de tortura e homicídio.

A primeira vez que Videla foi processado pela Justiça alemã foi nos anos 90. Na época, a Promotoria acusou ele, o general Emilio Massera e outros golpistas de envolvimento nos desaparecimentos de alemães.

Videla, de 84 anos, presidiu a Argentina entre 1976 e 1981. Com vários processos pendentes por crimes contra a humanidade, o ex-ditador será julgado por 30 homicídios, 552 sequestros e 264 casos de torturas. Há mais de 20 anos, Videla foi condenado à prisão perpétua, mas só cumpriu cinco anos, sendo indultado durante a Presidência de Carlos Menem. Em 1998, ele voltou à prisão, desta vez pelo roubo de bebês durante o regime militar, mas 38 dias depois, ganhou direito à prisão domiciliar, revogada em 2008, quando foi transferido para uma prisão dentro de uma instalação militar.