Italiano resgatado no Haiti alerta para aumento da violência

Agência ANSA

PORTO PRÍNCIPE - O italiano Marcello Guidotti, que permaneceu isolado por quase dez dias em uma cidade perto de Porto Príncipe, alertou hoje para uma "escalada da violência" no Haiti, já que as ajudas prometidas "demoram a chegar ou simplesmente não chegam".

- Tememos uma escalada da violência. Se o dinheiro não chegar, se não reabrirem os bancos, os escritórios, é possível que ocorra qualquer coisa - disse Guidotti, que foi resgatado ontem pelas autoridades italianas com apoio da França, país que disponibilizou uma equipe de buscas e um helicóptero para a operação.

Guidotti chegou à cidade litorânea de Jacmel, a cerca de 40 quilômetros da capital, no último dia 10. Ele decidiu ir ao Haiti após um amigo, Francesco Fantoli, que vivia neste município, ter sido assassinado no dia 5 de dezembro em uma tentativa de assalto.

Ao falar com a imprensa, o italiano relatou também o momento da tragédia do dia 12. - Por sorte, estávamos fora, a céu aberto, e não aconteceu nada, sentimos apenas medo -contou.

- Foi impressionante ver o mar que inesperadamente, em poucos segundos, recuou cerca de 300-400 metros e voltou às margens da praia, entrando no hotel. Foi um pequeno tsunami - continuou.

O italiano disse ainda que, sem auxílio de autoridades, é difícil deixar a localidade, que está praticamente isolada. Por terra, o percurso "pode ser feito apenas de moto", mas esta "é uma viagem desaconselhável. Ao longo da estrada há grupos de pessoas que, se não recebem aquilo que querem, na melhor das hipóteses, não te deixam passar".

Ao ser questionado se continuaria no país, Guidotti disse que não. - Pegarei o primeiro voo para a Itália. A minha presença aqui é inútil - disse. Antes, porém, ele pediu que as ajudas humanitárias cheguem também a esta localidade, que perdeu entre 200 e 300 de seus 50.000 habitantes.

- Espero que as ajudas, as verdadeiras ajudas, cheguem também a Jacmel que, assim como outras localidades, foi esquecida - disse o italiano. - Não sei por quanto tempo as pessoas tolerarão esta situação - completou.

Segundo informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália, os cidadãos do país que ainda estão no Haiti serão repatriados no sábado. Esta será a segunda operação do tipo realizada pelo governo italiano. Nos últimos dias, 13 pessoas já foram levadas a Roma.