Napolitano defende presença forte do Estado para combater a máfia

Agência ANSA

ROMA - O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, afirmou nesta quinta-feira, em visita à cidade de Reggio Calabria, no sul do país, que o Estado deve manter uma presença forte na região para combater organizações mafiosas.

- Nós, representantes do Estado, não devemos fazer fugazes aparições na Calábria, mas desenvolver um empenho sistemático contra a 'Ndrangheta [a máfia calabresa] e para afirmar a legalidade - comentou o presidente.

A polícia italiana acredita que organizações mafiosas da região possam estar por trás dos episódios de violência ocorridos no início deste mês, envolvendo cidadãos locais e imigrantes.

Como consequência dos enfrentamentos, ocorridos na cidade de Rosarno, 1.128 africanos foram transferidos para outros dois centros de acolhida da região. O possível envolvimento da máfia calabresa nas agressões também foi confirmado pelo ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni.

Hoje, Napolitano ressaltou que é preciso "ordem e legalidade" para evitar que episódios como o de Rosarno se repitam. O chefe de Estado defendeu uma atuação do poder público pela integração dos migrantes.

Ele também definiu como "muito positivo" o empenho do governo "nos últimos dias" para enfrentar esses episódios. Napolitano disse que é importante combater "preconceitos" e "lugares comuns" que possam marcar a Calábria como um "local de intolerância e de racismo".

- É um problema pensar que os imigrantes sejam portadores de violência e que os cidadãos de Rosarno sejam portadores de racismo. Devemos estar muito atentos - alertou o presidente italiano.

O chefe de Estado enfatizou que as autoridades locais estão trabalhando "com inteligência, tenacidade e profissionalismo" no combate à máfia. - Estamos vivendo uma página nova da história desta região - disse.

Por sua vez, o prefeito de Reggio Calábria, Giuseppe Scopelliti, afirmou que, apesar dos "episódios recentes" de violência, "há uma Calábria inteligente, que mira a sabedoria, o futuro". Segundo ele, existe "uma nova classe dirigente que não quer se submeter a pactos com a 'Ndrangheta."