Haiti: Filas e improvisação na madrugada

JB Online

PORTO PRÍNCIPE - A falta de segurança para a distribuição de ajuda humanitária no Haiti é um dos maiores problemas enfrentados pelos socorristas. Na madrugada de ontem, 70 fuzileiros navais brasileiros fizeram uma ação para distribuir 3 mil litros de água e 3 toneladas de alimentos para 320 famílias, no bairro da Cité Militairé, em Porto Príncipe, a capital do país.

O acampamento é um dos 300 que estão espalhados pela cidade à espera da ajuda humanitária. Mantimentos não faltam, segundo o capitão de Fragata, Júlio César Franco, que comandou a ação.

Estamos fazendo esta distribuição pontual. Um trabalho de formiguinha, todos os dias, em comunidades diferentes explicou. Para driblar a falta de segurança e fazer com que os alimentos cheguem aos 370 mil desabrigados da cidade, a distribuição brasileira é feita à noite ou de madrugada. A prioridade é a segurança. O nosso papel é manter os militares e a população seguros e prestar a ajuda humanitária.

Mesmo assim, segundo a Marinha do Brasil, as ações brasileiras distribuíram 20 toneladas de alimentos e 20 mil litros de água para os desabrigados desde o terremoto do dia 12. A ação humanitária de ontem durou 20 minutos para distribuir 320 kits contendo seis garrafas de 2 litros de água e uma sacola de supermercado com dois quilos de leite em pó, um kg de açúcar, duas latas de fiambres (presunto enlatado), duas latas de sardinhas e oito pacotes de biscoitos. A água foi uma doação da República Dominicana e os alimentos, do governo brasileiro.

O comboio com três caminhões e um par de jeep partiu de madrugada para o bairro. Na chegada, os moradores correram para organizar a fila para receber a ajuda. Centenas de pessoas contornavam um muro que guardava uma quadra de esportes, em frente ao acampamento.

No acampamento, os barracos improvisados são sustentados por paus e cobertos por panos e lençóis. As condições de higiene são paupérrimas. Esgoto a céu aberto, montanhas de lixo e pequenos focos de incêndio compõem o ambiente do campo.

Os militares colocaram cones para sinalizar o lugar da fila. Um líder comunitário pedia calma por um megafone, enquanto os alimentos eram desembarcados dos caminhões. Um garoto de dez anos, disse que estava fora da fila porque seus parentes iam pegar os alimentos.

Meu nome é Carlos. Sobrenome não sei diz o garoto, parte de 90% dos haitianos que não têm documentos, segundo dados do Itamaraty. (ABr)