Fuzis sem munição controlam a multidão no Haiti

JB Online

PORTO PRÍNCIPE - A distribuição de uma carga de água, nesta quarta-feira, num descampado perto da cidade de Leogane (50 km a oeste de Porto Príncipe), mostra que a participação dos americanos na operação vai muito além da simples garantia de segurança, informa a reportagem do enviado especial a Leogane, Fabio Zanini publicada nesta quinta-feira pela Folha de S. Paulo.

Segundo a reportagem, o carregamento chegava de helicóptero, era descarregado e transportado para uma camionete por um grupo de cem fuzileiros navais. Aos cerca de 20 soldados da Minustah presentes cabia um papel coadjuvante: o de observar a operação e dirigir o veículo a um ponto de distribuição a cerca de dois quilômetros do local.

Os americanos também formavam um cordão separando do local cerca de 200 haitianos, que observavam à distancia. Tinham à mostra fuzis M16, com o detalhe de que estavam descarregados.

- Eles não sabem, mas as balas estão guardadas. É apenas um efeito moral - disse o primeiro sargento Timothy Leherke. Mesmo quando a camionete atolou, foram os fuzileiros americanos a empurrá-la.

Os americanos chegaram ontem e acamparam no local. Dizem não ter ideia de quanto tempo ficarão por ali. Na manhã desta quarta-feira, foi registrado o tremor mais forte desde o grande terremoto que devastou a capital haitiana no último dia 12. Por oito segundos, o terremoto de magnitude 5,9 deixou milhares de haitianos em pânico.

O número de mortos foi estimado em 200 mil pelo governo haitiano, com 80 mil já enterrados em valas comuns. A Comissão Europeia elevou sua estimativa de desabrigados de 1,5 milhão para 2 milhões, e disse que 250 mil pessoas precisavam de ajuda urgente.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou nesta quarta-feira que pediu ao Senado a aprovação do envio imediato de mais 900 homens, com uma força reserva de outros 400, para envio em caso de necessidade. O pedido deve ser analisado na próxima segunda-feira.

Folha de S. Paulo