Financiamento de campanha: Obama enfrenta mais uma decepção

Jornal do Brasil

NOVA YORQUE - Foi mais um presente de grego, um dia depois de o presidente americano, Barack Obama, completar um ano de governo e amargar a perda de maioria no Congresso, o que ameaça seu plano de reforma da saúde. Contrariando as convicções da Casa Branca, a Suprema Corte americana decidiu ontem autorizar empresas a financiarem livremente campanhas eleitorais.

A medida, além de contrariar a opinião de Obama, revoluciona a lei eleitoral americana, que limitava este direito há 20 anos. Até antes de ontem, as instituições só podiam desbloquear fundos através de um comitê de ação política , especialmente criado para isso. A Suprema Corte também decidiu que se uma propaganda eleitoral não for financiada pelo próprio candidato ou seu partido, o nome do patrocinador deve ser exibido.

Os nove membros da Suprema Corte descartaram a hipótese de que as novas medidas aumentem o risco de corrupção, e também rejeitaram o argumento de que os acionistas poderiam doar dinheiro para defender posições políticas que não compartilham, considerando que isto já era possível.

Desabafo

Ao saber da decisão, Obama não se calou e questionou a Suprema Corte, advertindo para uma nova explosão de dinheiro doado com duplas intenções.

Esta é uma vitória enorme para as petrolíferas, os bancos de Wall Street, as companhias de seguros de saúde e outros interesses poderosos que todos os dias se mobilizam para abafar as vozes do cidadão comum disse Obama.