EUA revogam vistos de mais oito funcionários de Honduras

Agência ANSA

TEGUCIGALPA - O governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão dos vistos diplomáticos de mais oito funcionários do governo de facto de Honduras, que em 28 de junho de 2009 tirou o presidente Manuel Zelaya do poder.

Um dos afetados pela nova suspensão foi o ministro da Juventude, Luis Ortez, que contou ter recebido a nota com a informação.

No texto, o Consulado Geral dos Estados Unidos teria explicado que o visto do ministro foi cancelado por conta do "golpe de Estado de 28 de junho contra o governo de Honduras democraticamente eleito".

A nota também "fez menção de que o governo norte-americano apoiou a participação honesta e de boa fé durante o processo de San José, que conduziu ao diálogo que resultou na assinatura de Acordo Tegucigalpa-San José", em outubro passado.

- O Departamento de Estado atualmente lamenta que o governo de facto não tenha se envolvido no processo de reconciliação, e assim toma medidas concretas para que Honduras possa retornar à comunidade internacional - acrescentou o documento.

Ainda segundo Ortez, o governo dos Estados Unidos estaria insatisfeito porque o presidente de facto, Roberto Micheletti, não atendeu ao pedido de abandonar o poder no último dia 15, antes da posse do mandatário eleito, Porfirio Lobo, programada para o próximo dia 27.

- A nota é datada de 15 de janeiro de 2010, que é a data limite que eles nos davam para que o presidente Micheletti abandonasse a presidência - apontou.

Contudo, Ortez disse estranhar que o texto menciona que houve "um golpe de Estado" em Honduras, em vez de "sucessão constitucional", já que o termo não havia sido utilizado oficialmente em outras ocasiões. Para ele, a nova designação teria partido do embaixador Hugo Llores, a quem considerou 'persona non grata' no país centro-americano.

Outros dos funcionários do governo de facto que tiveram seus vistos suspensos foram: o chefe de gabinete do governo de facto, Javier Valladares; as ministras da Cultura, Artes e Esportes, Mirna Castro, e da Economia, Gabriela Núñez; a presidente do Banco Central, Sandra Martínez, e o ministro de Obras Públicas, Transporte e Habitação, José Rosario Bonano, segundo informou a Rádio América.

Alguns meses depois do golpe de Estado, a administração de Barack Obama decidiu cancelar os vistos de Micheletti; do presidente da Suprema Corte da Justiça, Jorge Rivera; do presidente do Congresso, José Alfredo Saavedra; do presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos, Ramón Custodio, entre outros.