Haiti: no porto, famílias invadem navios

Jornal do Brasil

PORTO PRÍNCIPE - Milhares de pessoas se amontoam no cais de Porto Príncipe, buscando uma vaga na única embarcação ainda em operação que faz o trajeto para Jeremie, uma das cidades menos atingidas pelo terremoto do dia 12. Devido à falta de combustível, a embarcação geralmente fica dois dias sem fazer o trajeto. Várias famílias esperavam quarta-feira para embarcar com móveis e malas. Outras preferiram invadir navios parados e passaram a morar nas embarcações.

Mais de uma semana depois do grande terremoto, militares dos EUA que ajudam nos esforços de ajuda começaram a mudar o foco das missões: de buscas por sobreviventes para a remoção de corpos e o início da reconstrução do país. A Segunda Frota dos EUA informou que mais 4 mil marinheiros e fuzileiros navais serão enviados ao Haiti nos próximos dias.

Soldados chegam também a outras cidades atingidas pelo terremoto nos arredores da capital, como Leogane, a oeste, e Jacmel, na costa sul, para patrulhar e distribuir ajuda.

Em Leogane, epicentro do terremoto inicial, a falta de instalações médicas avançadas impediu muitos pacientes em estado grave de serem submetidos a cirurgias.

Mesmo antes de todo este problema, os hospitais aqui mal funcionavam disse à Reuters Joel Beaubrun, morador de Leogane. Dá para imaginar como está agora.

Embora escoltas militares ainda sejam necessárias para a entrega de mantimentos, a ONU disse que os problemas de segurança se concentram em áreas que já eram consideradas de alto risco, como o bairro Cité Soleil. Cerca de 4 mil criminosos fugiram de prisões que desabaram e se esconderam em regiões onde não há policiamento.

As autoridades do Haiti dizem que o terremoto matou entre 100 mil e 200 mil pessoas, e que 75 mil corpos foram sepultados em valas comuns. Por enquanto, as temidas epidemias não apareceram, embora muitos feridos estejam vulneráveis a tétano e gangrena.

A organização Médicos Sem Fronteiras disse que um avião cargueiro com 12 toneladas de suprimentos médicos foi impedido de pousar em Porto Príncipe em três ocasiões desde domingo, e que cinco pacientes morreram pela falta de medicamentos.