Haiti: FMI sugere plano de reconstrução

Jornal do Brasil

PORTO PRÍNCIPE - A criação de um novo Plano Marshall para reconstruir o Haiti foi a proposta feita quarta-feira pelo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. Ele ressaltou que o país caribenho precisa de grande esforço de ajuda financeira internacional para superar essa fase.

Para ele, o país tem sido incrivelmente atingido por diferentes fatores, como a crise da alta no preço dos alimentos e dos combustíveis, depois o furacão (2008), então o terremoto. Por isso, Strauss-Kahn afirma que o Haiti precisa de algo grande.

Não apenas uma ação fragmentada, mas algo muito maior para lidar com a reconstrução do país: um tipo de Plano Marshall é o que precisamos implementar agora no Haiti sugere Strauss-Kahn.

O diretor-geral do FMI se refere ao plano adotado pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial para auxiliar na reconstrução da Europa, que havia sido devastada pelo conflito.

O assunto será discutido no próximo dia 25 durante uma reunião internacional em Montreal (Canadá) com a presença do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive. O encontro também servirá para planejar uma cúpula de alto nível sobre o Haiti, que será realizada nos próximos meses.

Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do FMI, estima que o prejuízo causado pelo terremoto no Haiti supere o valor dos estragos com os furacões em 2008. Naquele ano, o FMI calculou 15% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a US$ 900 milhões.

O impacto deste terremoto pode ser muito maior, mas ainda há muita incerteza quanto a isso. Por isso, a retomada da atividade econômica no país é tão importante avalia Eyzaguirre.

Para ele, é preciso ajudar o Haiti a colocar sua economia para funcionar novamente. O diretor explica que todas as instituições públicas foram muito afetadas, bancos foram destruídos e o sistema de pagamentos interrompido.

O FMI, em coordenação com outras instituições, está auxiliando as autoridades a colocar o dinheiro para circular na economia, para que as pessoas possam comprar comida e os funcionários públicos voltem a receber salários afirma Eyzaguirre.

Ele disse que, nas próximas semanas, o Fundo vai participar do plano de reconstrução, que será coordenado com a comunidade internacional.

Empréstimo

O FMI já se comprometeu em emprestar ao Haiti US$ 100 milhões sem juros. Strauss-Kahn explicou que um empréstimo era a maneira menos burocrática e, portanto, mais rápida de repassar recursos. Por isso, a entidade não classificou o montante como doação.

Nesse caso, a questão era: nós iríamos ficar sem fazer nada ou iríamos fazer o empréstimo? Decidimos pelo empréstimo, mas sem juros, com um longo prazo para pagamento explicou.

O rápido repasse segundo o diretor, servia inicialmente para salvar vidas. A urgência hoje é por salvar vidas. A urgência em algumas semanas será pela reconstrução .

Strauss-Kahn disse que a instituição está tentando zerar as dívidas haitianas.

Se formos bem-sucedidos, e tenho certeza de que seremos, até esse nosso empréstimo se transformará em uma doação, porque todos os débitos do país terão sido cancelados. E isso é muito importante para o Haiti agora destaca.

Em 2009, o FMI e outras organizações internacionais perdoaram US$ 1,2 bilhão de dívida haitiana. O Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) suprimiram desde então quase US$ 900 milhões em débitos do Haiti.

Com agências