Amorim: País deve fazer doação para reconstrução do Haiti

Larrysa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira que o governo brasileiro pretende fazer novas doações para o Haiti a fim de que o país caribenho, destruído por um forte terremoto na última semana, comece sua própria reconstrução. Os valores ainda não estão definidos e nem o serão neste momento, considerado necessário estritamente para ajuda emergencial, como o fornecimento de água e comida à população.

"Além dos US$ 15 milhões já oferecidos para ajuda emergencial, (o presidente Lula disse) e também (o governo brasileiro) estaria disposto a uma ajuda, naturalmente importante, dentro dos nossos recursos, para a reconstrução", disse o chanceler brasileiro ao relatar um telefonema entre o presidente Lula e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

"O que a gente possa fazer a mais será para reconstrução. Seria doação em dinheiro. Como isso ainda vem à frente, vamos discutir. Além do trabalho que temos feito diretamente, estamos também com outros programas, como o Fundo Ibas (grupo de países formado por Índia, Brasil e África do Sul), que já tem programas importantes no Haiti. Estamos conversando sobre a reconstrução de escolas, de postos hospitalares, coisas desse tipo", disse Amorim.

"O presidente Lula reiterou a disposição de continuar colaborando, independentemente dos milhões de dólares já oferecidos, dos quais US$ 5 milhões (ofertados pelo Brasil) acredito que já estão até nos cofres da ONU", afirmou ainda.

O ministro de Relações Exteriores reafirmou ainda a proposta do Ministério da Defesa de enviar para o Haiti mais soldados e policiais. O presidente do Senado, José Sarney, informou que uma comissão representativa do Congresso, que trabalha durante o recesso parlamentar, deverá analisar na segunda-feira o pedido de reforço do contingente brasileiro.

"(O envio dos homens) é o mais imediato. Exige aprovação parlamentar. O presidente Sarney já está convocando essa comissão legislativa durante o período de recesso. Pelo espaço dos aviões terá de tomar um tempinho, mas a ideia é mandar algo próximo de um batalhão, um grupo formado, da mesma forma que os policiais seriam uma companhia, e não policiais esparsos", afirmou.

Novo terremoto

Sobre os novos tremores de terra no Haiti, ocorridos nesta manhã, o chanceler disse que até o momento não há registros de mortos. O embaixador brasileiro em Porto Príncipe, Igor Kipman, fez uma espécie de ronda pela capital e não detectou maiores estragos, embora o epicentro dos abalos sísmicos tenha sido registrado a 60 km da capital.

"A preocupação minha foi ligar para o nosso embaixador Igor Kipman. Ele tinha sentido o terremoto à noite e disse que a casa aparentemente não havia sofrido nada e naquele momento iria sair e verificar. Fez um giro por vários lugares de Porto Príncipe e não sentiu nada. Tem ainda que obter informações. Não sei se em algum lugarejo do interior pode ter ocorrido (mortes). Em Porto Príncipe, até agora, não há notícias",disse Amorim.

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Dois militares estão desaparecidos.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.