Haiti: em Mariane, instituição distribui pasta de amendoim

Jornal do Brasil

MARIANE - Não muito longe de Porto Príncipe, a cidade de Mariane, com cerca de 20 mil habitantes, também não foi poupada pelo terremoto que devastou o Haiti. A região não mereceu, até agora, a mesma atenção dada à capital, situação que poderá mudar a partir da aprovação, ocorrida terça-feira, do envio de mais 3.500 homens para as forças de segurança da ONU. Enquanto as tropas não chegam, a única instituição estrangeira a atuar na cidade é a sul-africana ActionAid, que já fazia um trabalho local junto a crianças da região. A organização agora atender com comida e outros suprimentos também os adultos, e tenta localizar suas crianças.

Sete delas já apareceram, incluindo Wendy, de 12 anos, e Michou, de 10. Seus pais também sobreviveram, e contam com a pasta de amendoim que a ActionAid distribui em seu armazém improvisado.

Não esperávamos nada parecido com isso, entãom não armazenamos nenhum tipo de suprimento afirma Sony Destramy, de 43 anos, pai das crianças.

Dos 23 funcionários da ActionAid, apenas 10 continuam trabalhando. Os demais buscam por parentes ou por ajuda.

A pasta de amendoim, conhecida como Plumpy'Nut, altamente calórica e rica em vitaminas, é normalmente preparada para atender a crianças subnutridas.

Com o estoque que temos, conseguimos alimentar 2.500 pessoas afirma a coordenadora executiva da ActionAid no Brasil, Rosana Heringer, que mantém contato frequente com seus colegas no Haiti.

Além da pasta, também há fornecimento de óleo, farinha e purificadores de água.

Na rua

O prédio da ActionAid em Mariane foi o único a ficar de pé na vizinhança, mas seus funcionários dormem na rua, cm medo de um desabamento.

A instituição, que arrecada doações pelo site www.ajudeohaiti.org.br, espera para os próximos dias pela chegada de uma remessa de 3 mil barracas, 20 mil cobertores, mil caixas de leite em pó, mil caixas de fraldas, 15 mil tubos de pasta e escovas de dente, 20 mil kits de hidratação e 10 mil peças íntimas para mulheres e meninas, todas enviadas da vizinha República Dominicana. Um carregamento contendo sabão, enlatados, biscoitos, cordas e redes anti-mosquito também está para chegar.

Em Mariane, 45 crianças são apadrinhadas por iniciativa da ActionAid. Outras 550 também participam do programa em Philipeau área menos afetada pelo terremoto.

Só esperamos que nossos filhos voltem a estudar e que a gente consiga um lugar para dormir diz Monique, aliviada por ter, ao menos, seus filhos.