Brasil envia médicos para analisar risco de epidemia no Haiti

Laryssa Borges, JB Online

BRASÍLIA - O gabinete de crise instalado para coordenar as ações humanitárias do Brasil em socorro às vítimas do terremoto no Haiti decidiu nesta terça-feira enviar profissionais do Ministério da Saúde à capital Porto Príncipe para analisar o risco de epidemias no cenário de devastação após os tremores de terra. Com corpos em decomposição nas ruas e embaixo dos escombros, o governo brasileiro considera haver chance de a população desenvolver surtos de doenças infecciosas, como sarampo e malária.

"Ficou decidido que o Ministério da Saúde enviará profissionais para realizar uma avaliação de risco epidemiológico", disse o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em nota à imprensa. Para garantir um refinamento na ajuda humanitária ao país caribenho, o GSI informou ainda ter sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação de uma estrutura temporária de governo, com representantes dos ministérios da Defesa, Relações Exteriores, Saúde e Integração Nacional.

Utilizando imagens de satélite, o governo brasileiro conseguiu atualizar as necessidades da população haitiana em relação a material e pessoas. Quatro voos com ajuda humanitária do Brasil estão em deslocamento para o Haiti. Outras 14 aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) já haviam partido com socorro ao país.

"É importante ressaltar que o governo brasileiro continua empenhado em prestar total e irrestrito apoio à população do Haiti, já tendo encaminhado ao país várias toneladas de alimentos, água e medicamentos de seus estoques governamentais, assim como pessoal técnico especializado para atuar nestas situações de extrema gravidade, recursos financeiros e apoio médico e humanitário", disse o GSI.

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 16 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Dois militares estão desaparecidos.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.