Homem que tentou matar João Paulo II diz que é Jesus Cristo

Agência ANSA

ANCARA - O turco Mehmet Ali Agca foi libertado nesta segunda-feira após permanecer preso por quase 30 anos pela tentativa de assassinato do papa João Paulo II, em 1981.

Ao ser solto, em uma mensagem manuscrita distribuída à imprensa, Ali Agca afirmou ser Jesus Cristo e declarou que escreverá a "Bíblia perfeita".

No texto, fornecido pelos advogados do turco, ele aponta cinco artigos nos quais explana suas "delirantes" considerações. "Artigo 1: Deus é único na eternidade. Deus é completo na eternidade. A Santíssima Trindade não existe. Artigo 2: Eu não sou Deus. Eu não sou filho de Deus. Eu sou Jesus eterno, ou seja, o sagrado verbo [Jesus Cristo] renascido de carne e osso".

Em outro trecho, Agca prognostica ainda que "todo o mundo será destruído neste século. Cada homem morrerá" e declara que "a Bíblia é cheia de erros. Eu escreverei a Bíblia perfeita".

Ali Agca foi detido logo após ter atirado contra João Paulo II em 13 de maio de 1981 na Praça de São Pedro, em Roma. Ao ser atingido por dois disparos, o então Pontífice foi gravemente ferido na região do abdômen, no braço direito e na mão esquerda. Em 1983, ao visitá-lo na prisão, Karol Wojtyla o perdoou pela agressão.

Em 2000, ele foi extraditado da Itália para a Turquia, onde permaneceu preso por outros crimes cometidos antes do atentado. Depois de ser libertado, Ali Agca foi levado ao Hospital Militar de Ancara, sob um forte esquema de segurança.