Haiti: governo brasileiro pede doação de água e enlatados

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O gabinete de crise do governo brasileiro, instalado para coordenar a captação de doações para as vítimas do terremoto que devastou o Haiti, voltou a formular nesta segunda-feira uma lista de alimentos que podem ser doados em caráter imediato aos haitianos. A lista inclui água engarrafada, leite longa vida, sucos em caixa ou em lata, achocolatados, biscoitos, barras de cereais, frutas desidratadas e enlatados de pronto consumo.

As doações de alimentos devem ser encaminhadas para postos da Defesa Civil nos Estados e nos municípios. Ofertas de medicamentos e de serviços médicos para a população do Haiti podem ser feitas ao Ministério da Saúde por meio do e-mail [email protected]

Pessoas que pretendem atuar como voluntários e prestar socorro à população vítima do terremoto podem procurar o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República pelo e-mail [email protected] ou pelo fax (61) 3411-1297.

Doações em dinheiro, consideradas a ajuda mais importante que a comunidade internacional pode disponibilizar aos haitianos, podem ser feitas por contas correntes da Embaixada do Haiti no Brasil e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento):

Banco do Brasil:

Conta SOS Haiti - Embaixada do Haiti

Agência 1606-3

Conta Corrente 91000-7

Caixa Econômica Federal:

Conta PNUD Haiti

Agência 0647 Op 003

Conta Corrente 600-1

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 16 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Dois militares estão desaparecidos.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.