Haiti: Brasil amplia ajuda financeira

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O Ministério do Planejamento anunciou que o governo brasileiro irá ampliar os recursos destinados para a ajuda humanitária ao Haiti para um total de R$ 35 milhões. A medida é uma resposta a pedido feito segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a equipe econômica do governo redirecionasse verbas do Orçamento de maneira a garantir o adequado auxílio financeiro do Brasil ao país caribenho. O governo já havia anunciado aportes da ordem de US$ 15 milhões, cerca de R$ 26 milhões, para o país atingido por um terremoto de 7,3 graus de magnitude na terça-feira passada.

A abertura do crédito, segundo o ministério, deve ser feita por meio de Medida Provisória cuja edição será feita ainda terça-feira. Os recursos adicionais serão encaminhados ao Ministério de Relações Exteriores para a implantação, pelo Brasil, de ações de cooperação e de projetos humanitários no Haiti. De acordo com a equipe econômica, o aporte adicional é justificado pela situação de urgência no Haiti.

O direcionamento de recursos previstos no Orçamento da União para 2010 para os esforços no Haiti foi discutido em de coordenação política realizada segunda-feira. Pela manhã, no programa Café com o presidente , Lula já havia cobrado dos governantes internacionais um compromisso financeiro maior com a ajuda ao país caribenho.

O mundo todo está sensibilizado. Agora, é preciso transformar essa sensibilidade em ajuda concreta, em dinheiro para que a gente possa reconstruir o Haiti disse Lula, que deve visitar o país em fevereiro. Achamos que tem países que podem dar mais. O momento agora é de colocar a mão no bolso e ajudar. O Brasil já está, há vários anos, reivindicando dinheiro dos países doadores, porque é preciso que a gente resolva o problema do Haiti com mais rapidez.

Lula também alertou aos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, para a necessidade de ampliação dos recursos orçamentários previstos para o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). O órgão é responsável pela logística do apoio brasileiro. O presidente quer do GSI um levantamento detalhado para identificar quais as necessidades das equipes brasileiras que trabalham no socorro às vitimas e nas medidas de segurança no Haiti. Após a reunião de segunda-feira, Mantega e Paulo Bernardo também passam a integrar o gabinete de crise criado pelo governo para avaliar a situação no Haiti.

Vamos garantir todos os recursos solicitados pelo GSI. Tivemos que ampliar os deslocamentos aéreos e isso significa mais recursos explicou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou segunda-feira para Lula elogiando a liderança do Brasil nas ações de ajuda ao Haiti. Segundo o Palácio do Planalto, Lula teria dito ao presidente americano que a Minustah está sobrecarregada com as tarefas de distribuição de suprimentos.

O GSI também divulgou uma nota segunda-feira listando as prioridades para doações aos haitianos. De acordo com o órgão, as prioridades no momento são as doações de medicamentos e ofertas de serviço médico. Na nota, o GSI informa que os cidadãos interessados em ajudar devem procurar o Ministério da Saúde pelo e-mail [email protected] O órgão informa ainda que as doações de alimentos devem levar em conta que os haitianos precisam de comida pronta para o consumo.

No Haiti, soldados brasileiros já deram início às operações de sepultamento dos corpos de vítimas do terremoto. Valas com 20 metros de extensão e dois metros de largura foram abertas. Em cada cova, os militares colocam 20 corpos. Antes do enterro, os corpos foram fotografados para possível identificação posterior.

O Exército informou segunda-feira que foram identificados os corpos do coronel João Eliseu Souza Zanin e do tenente-coronel Marcus Vinicius Macedo Cysneiros, dois dos três militares brasileiros que ainda eram tidos como desaparecidos. Com a identificação, o número oficial de brasileiros mortos no terremoto sobe para 19 incluindo dois civis. Segundo o Exército, os dois militares serviam no Gabinete do comandante do Exército, com sede em Brasília, e estavam no Haiti exercendo funções de observação e coordenação para o órgão.

Os corpos da maioria dos militares brasileiros mortos no Haiti devem chegar ao Brasil quarta-feira. As honras fúnebres serão feitas em Brasília, com a presença de parentes das vítimas. O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, comentou a possível comoção que pode ocorrer com a chegada dos corpos.

Ninguém está preparado para a morte. Mas a morte é inerente à profissão militar resumiu o comandante.