Governo do Haiti têm mais alimentos do que previsto

JB Online

PORTO PRÍNCIPE - Segundo o responsável pela distribuição alimentícia no Haiti, Michel Chancy, o governo haitiano recebeu da ajuda internacional mais alimentos do que pode armazenar e distribuir. Ele, que foi nomeado após o terremoto de terça-feira passada, acredita que em princípio haverá comida o suficiente, no entanto, o armazenamento é o motivo de desordem. "Em princípio temos comida suficiente. O problema é a recepção e o armazenamento, tudo chegou em desordem. Há muita comida e não temos um estoque preciso de tudo", disse Chancy, que é ministro de Agricultura haitiano.

O ministro criticou o fato de que ontem chegaram ao aeroporto de Porto Príncipe dois aviões (que não identificou) com sete toneladas de ajuda, que nem sequer tinha autorização de aterrissagem. Por isso, pediu aos eventuais doadores que respeitem as medidas de segurança.

Em reunião prévia de coordenação governamental, Chancy ressaltou outro dos grandes problemas que enfrenta a distribuição da ajuda alimentícia: a insegurança, já que "a Polícia está superada" pelos eventos, mas é preciso garantir a proteção dos comboios de auxílio.

Apesar de todos esses problemas, ressaltou que ontem foram distribuídas 73 mil porções entre os desabrigados pelo terremoto - a quinta parte procedente do programa dominicano de ajuda aos afetados. Esse número deve aumentar para 135 mil porções.

A respeito do número de desabrigados, disse que seu Governo ainda não tem um cálculo exato, mas trabalha com a estimativa de 300 mil famílias sem-teto (cerca de 1,5 milhão de pessoas) e outras tantas com suas moradias gravemente afetadas com fissuras e fendas que saíram delas ao não saber da gravidade dos danos.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. Em declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que pelo menos 16 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

Além de Luiz Carlos da Costa, a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, também morreu no tremor.