Haiti: hospital de campanha deve começar atendimentos hoje

Portal Terra

BRASÍLIA - A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o brigadeiro-médico José Maria Lins Calheiros, chefe da missão de saúde da Força Aérea no Haiti, disse, na manhã deste domingo, que o hospital de campanha poderá começar a atender a partir de hoje. Foram realizadas ainda algumas obras de infraestrutura com o apoio de engenheiros do Exército, como a colocação das seis caixas de água para o abastecimento.

Segundo a FAB, os equipamentos do hospital estão instalados em 17 módulos, o inclui centro cirúrgico, raio-X, ambulatórios e laboratório de análises clínicas, além de UTI e leitos para internações de curto período.

No período da tarde, os equipamentos da unidade celular de intendência - que oferecem suporte ao hospital - deverão estar prontos, assim como a estrutura de segurança da unidade, que funcionará ao lado da base brasileira no Haiti.

"Queremos atender o quanto antes. Estamos trabalhando para isso. Temos uma previsão de começar hoje ainda", disse o brigadeiro. Cerca de 50 militares da área de saúde, entre médicos, enfermeiros, dentistas e farmacêuticos, foram enviados a Porto Príncipe, capital do Haiti, além das equipes de apoio.

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 14 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Quatro militares estão desaparecidos.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.