Haiti: Congresso é quem deve decidir futuro das tropas

Leandro Mazzini , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A afirmação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que o Brasil pode manter por mais cinco anos as tropas no Haiti, para a reconstrução do país, causou divergências entre parlamentares das comissões de Defesa do Senado e da Câmara, ouvidos ontem pelo JB. O acordo para o Brasil manter tropas no Haiti termina ano que vem. E os políticos fizeram alerta: apesar de a prioridade ser a ajuda emergencial aos haitianos, a recondução de tropas, o aumento de repasses do Orçamento para os trabalhos no país caribenho e um novo acordo com a ONU para a ampliação do prazo de permanência devem ser aprovados, novamente, pelo Congresso brasileiro.

A permanência depende de um novo acordo com a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) ressalta o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE). A avaliação tem que passar pelo Congresso, e a Minustah tem de ser reformulada. Embora seja importante a missão de segurança.

Antes contrário à permanência do país frente à missão no Haiti, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) revê a posição diante da catástrofe, mas endossa Jungmann.

Agora, a outra situação é o papel da ONU num país que já está devastado, não só pelo terremoto, mas por questões históricas avalia o deputado. Acho que a afirmação (de Jobim) é precipitada, porque deve-se ter aprovação do Congresso Nacional (para prorrogar a permanência das tropas). A situação humanitária é diferente, teremos que estudar.

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), da Comissão de Defesa e Relações Internacionais, concorda com o projeto do ministro da Defesa.

Havia um processo de preparação de saída (das tropas), diminuição gradativa de soldados, à espera da nova eleição, mas com este terremoto volta-se à estaca zero comenta o senador tucano, ao passo que explica por que ratifica Jobim. O ministro está correto. Deve-se controlar a violência. Os presos fugiram.

A questão principal não do papel do Congresso sobre o futuro das tropas no Haiti não passa apenas por um acordo com a ONU. Mexe também com o Orçamento do Brasil. Embora parte dos gastos lá seja reembolsada pelas Nações Unidas, o deputado federal e militar da reserva Jair Bolsonaro questiona o acordo.

Não concordo (com as tropas no Haiti), Os militares não têm reclamado, alguns até gostam, é uma ajuda internacional. Mas o nosso exército é sucateado. Toda ajuda tem um limite afirma o deputado. Já está na hora de sair de lá.

O Comando do Exército informou que foi identificado o corpo do major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho, desaparecido em Porto Príncipe desde o terremoto de 12 de janeiro. Com ele, sobem para 17 o número de vítimas fatais brasileiras no país (é o 15º militar).

Ontem, a Força Aérea Brasileira enviou mais dois aviões com voluntários e suprimentos para ajuda às vítimas no Haiti. Um avião Hérculos C-130 decolou da Base Aérea do Galeão, no Rio. No grupo foi o general de Divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da Minustah entre 2007 a 2009, além de militares do Exército, técnicos da Embratel. Na madrugada, 30 militares de infantaria da FAB seguiram num Boeing 707 da Presidência para coordenar a segurança do Hospital de Campanha.