Haiti: Brasil cuida da segurança. EUA, dos alimentos

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Numa reunião por teleconferência ontem, ficou decidido que a definição de prioridades e a coordenação das operações ficará a cargo da ONU juntamente com o governo haitiano. Ao Brasil, caberá a participação na segurança; enquanto os Estados Unidos cuidarão da ajuda humanitária.

A decisão foi tomada ontem em conjunto para evitar divergências e conflitos de comando entre os militares brasileiros e americanos que desembarcaram em Porto Príncipe, capital do Haiti, e assumiram o controle do espaço aéreo.

Tradições

Ontem também, o Ministério da Defesa do Brasil divulgou nota na qual reforça que os soldados brasileiros, sob ordens do comando, vão respeitar as tradições fúnebres dos haitianos, em especial os seguidores do Vodu.

Na nota, o ministério afirmou que o ministro Nelson Jobim contemplava o pleno respeito das tradições religiosas no enterro das vítimas do terremoto que abalou o país.

Jobim propôs que, para auxiliar as autoridades locais responsáveis pelos sepultamentos, fosse oferecida às famílias praticantes do Vodu uma cova em um cemitério que seria construído pela Engenharia do Exército, para onde os corpos poderiam ser transportados pelos próprios familiares, conforme sua tradição, e onde poderiam ser realizados os rituais fúnebres, que demoram dias.

Nesse caso, as tropas, que pela tradição não podem tocar nos corpos, foram autorizadas a retirar os cadáveres das vítimas das ruas.