Candidatos à Presidência do Chile têm histórias e discursos distintos

Agência Brasil

SANTIAGO, CHILE - Pela segunda vez, o empresário Sebastián Miguel Piñeira, da coligação Alianza de centro-direita, tenta chegar à Presidência do Chile. Em 2005 foi derrotado pela presidente Michelle Bachelet, da coligação Concertación de centro-esquerda. Mas desde o primeiro turno ele lidera as intenções de votos com o discurso sobre a necessidade de renovação e mudança, aproveitando que os governistas estão no poder há 20 anos.

Bem sucedido e um dos homens mais ricos do Chile, Piñeira se apresenta como um conservador diferenciado dos seus antecessores. Ele não é ligado aos militares e fez campanha contra o prolongamento do mandato do ex-presidente Augusto Pinochet, em 1989. Mas critica aqueles que tentam punir quem trabalhou com o regime militar.

Recentemente Piñeira passou por um constrangimento ao participar da inauguração do Museu da Memória e dos Direitos Humanos em homenagem às vítimas da ditadura chilena (1973-1990). Alguns dos convidados presentes pressionaram para que ele se retirasse do local. Inicialmente Piñeira atraia os votos dos mais ricos do Chile, mas ganhou a simpatia popular ao defender a criação de 1 milhão de empregos. É dono da empresa aérea Lan Chile, da rede de televisão Chile Visión e do time de futebol Colo Colo.

Ex-presidente do Chile de 1994 a 2000, o governista Eduardo Frei Ruiz concluiu seu mandato com um dos índices mais baixos de aprovação popular. Segundo analistas, ele deu azar por ter sido apanhado pela crise financeira asiática de 1997.

Frei foi escolhido o candidato da Concertación coligação que está no poder há 20 anos Chile mesmo com adversários internos reunindo mais votos. A escolha pelo seu nome foi levada porque a coligação concluiu que o eleitorado chileno prefere um perfil mais ao centro do que de extremos. Ele é filho do ex-presidente Eduardo Frei Montalva que governou o país de 1964 a 1970.

Ainda no primeiro turno das eleições, em dezembro, veio à tona a discussão sobre a revisão da Lei de Anistia depois que a Justiça determinou a prisão de seis suspeitos de assassinato de Frei Montalva por envenenamento. Mas o debate não foi adiante. Frei Ruiz homenageou seu pai no último dia de campanha em nome de todas as vítimas da ditadura chilena.