Sede da Viva Rio em Porto Príncipe recebe cerca de mil vítimas

Luiz Augusto Gollo , Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - O diretor- geral da organização não governamental (ONG) Viva Rio, antropólogo Rubem César Fernandes, que está em Porto Príncipe desde quarta-feira (13), dia seguinte ao terremoto, disse hoje (16) que a representação local da organização vem atendendo a cerca de mil desabrigados em suas instalações em Bel Air, na região central da capital haitiana.

Segundo o antropólogo, a Viva Rio mantém há alguns anos um centro comunitário de grandes proporções, transformado em abrigo de refugiados, atendidos por um contingente aproximado de 400 pessoas, entre as quais três médicos e dez enfermeiros locais, nove brasileiros e sete noruegueses, inclusive engenheiros.

A dificuldade mais grave é o atendimento médico às vítimas do terremoto que recorrem ao Viva Rio em Bel Air, explicou Rubem César: Porto Príncipe á uma cidade muito grande e por isso foram montados vários centros de atendimento emergencial. Eles funcionam independentes, em situação precária e sem muitos recursos. .

O diretor da ONG criada no Rio de Janeiro em 1993 não tem previsão de volta para o Brasil e agora atravessa o Haiti por terra. Ele disse que o terremoto foi sentido em todo o país e que a área mais atingida foi mesmo a capital, onde estão concentrados os esforços mundiais de ajuda humanitária.

A Viva Rio criou escritório próprio no Haiti para ajudar a sociedade a enfrentar o crime organizado em gangues que assolam Porto Príncipe desde o fim da ditadura de François e Jean-Claude Duvalier, conhecidos como Papa Doc e Baby Doc, que comandaram o regime ditatorial entre a década de 50 e 1985.

François Duvalier criou uma guarda popularmente chamada de tonton macoutes (bichos papões), que aterrorizou os haitianos durante décadas de ditadura e depois se dividiu em vários grupos criminosos espalhados pelo país, em especial na capital. Esses grupos são uma das grandes preocupações das forças internacionais, porque podem se aproveitar do clima caótico resultante do terremoto para instalar o terror no Haiti.