Ministro diz que Brasil só levará o estritamente necessário ao haiti

Marina Mello , Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Jorge Félix, afirmou neste sábado que o Brasil tem enfrentado dificuldades para aterrisar no Haiti por causa do excesso de aeronaves que estão chegando ao país com ajuda humanitária. Por isso, disse que, por enquanto, será enviado ao país aquilo que é "estritamente" necessário".

Segundo o Ministério de Relações Exteriores, ontem houve um "desconforto", porque uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que levava um hospital de campanha demorou um período demorado de tempo para receber autorização para pousar por causa de um congestionamento no aeroporto da capital do Haiti Porto Príncipe.

Jorge Félix disse que só está sendo enviado ao país o que é "estritamente" necessário segundo o que vem sendo pedido pelo governo haitiano e pelo batalhão brasileiro que funciona no local.

Ele afirmou que, em outras ocasiões, em casos de tragédias como a do tsunami, o Brasil enviou coisas que não tiveram utilidade para o que a população estava precisando. "No tsunami, num primeiro momento, o que levamos foi recusado, ao invés de termos levado a solução, levamos um problema. Isso foi uma lição, de modo que estamos mandando aquilo que é estritamente necessário para o Haiti", disse o ministro.

Segundo ele, as principais demandas do povo haitiano no momento são: água engarrafada, comida pronta - que não precise passar de nenhum tipo de processamento para ser ingerida - e medicamentos.

O ministro disse que, como há muita procura para se realizar doações, foi montado um banco de dados onde ficarão separados todos os tipos de doações para serem enviadas de acordo com a demanda do povo haitiano.

Missão de paz e ajuda humanitária

Durante entrevista coletiva concedida hoje, autoridades brasileiras disseram que existe uma certa confusão entre a missão de paz que já estava no Haiti antes do terremoto e a ajuda humanitária que esta sendo enviada agora - o que é considerado natural diante do caos que se instaurou naquele país.

Isso porque a missão de paz coordenada pelo Brasil tem suas atribuições definidas por um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) de manter a segurança no Haiti, ao passo que a ajuda humanitária trata de outras questões. Por esta razão, quando a situação no local for amenizada, o governo brasileiro deve conversar com a ONU sobre uma mudança nas atribuições do mandato da missão de paz brasileira.

Por enquanto, o sub-secretário geral de América do Sul do Itamaraty, embaixador Antônio Simões, disse que, independentemente do mandato, o Brasil prestará a ajuda que for necessária. "No momento temos 40 mil mortos, neste contexto, tem que ter ajuda humanitária e ela está sendo prestada de diversas formas", disse.

O representante do Ministério da Defesa, contra-almirante Paulo Zucaro, no entanto, afirmou que, qualquer ajuda humanitária tem que levar em conta a questão da segurança e por isso é importante a presença de militares na região. "A ajuda humanitária sem segurança é temerária, os países que querem ajudar tem que buscar a segurança", afirmou.

Doações

Para a população que quiser doar medicamentos ou oferecer serviços médicos às vítimas do terremoto, o governo disponibilizou o telefone 192, da Coordenação Geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde. Já instituições que quiserem oferecer ajuda desse tipo, podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou ligar para o (0XX61) 3315-3518.

Para doação de água engarrafada ou alimentos, a população deve contatar a Defesa Civil do Estado ou município em que vive. Os contatos podem ser encontrados no site www.defesacivil.gov.br.

E para doar demais serviços, o e-mail para contato é o [email protected]

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. No entanto, devido à precariedade dos serviços básicos do país, ainda não há estimativas sobre o número de vítimas fatais nem de feridos. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, e militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto no Haiti.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.