Eleições no Chile: Piñera diz que renuncia às empresas, caso vença

Jornal do Brasil

SANTIAGO - Equilíbrio e indefinição talvez sejam as melhores palavras para definir a reta final da disputa eleitoral pela Presidência chilena. Ao contrário do primeiro turno, quando era praticamente certa a vitória do oposicionista Sebastián Piñera, o que acabou se confirmando, agora a história é outra. O empresário multimilionário dono de um canal de TV e com participações na companhia aérea LAN e no time de futebol Colo Colo continua na frente, de acordo com as pesquisas, mas a diferença para o governista Eduardo Frei, na quinta-feira, não chegava a dois pontos percentuais.

Acusado de não ter condições de conciliar suas empresas com a Presidência chilena, caso seja eleito domingo, Piñera disse sexta-feira que venderá todas as participações que tem em algumas das instituições, segundo a agência de notícias Ansa.

Antes de 11 de março (dia da posse), vou vender algumas empresas para poder me dedicar àquela que é a vocação da minha vida, que é ser um presidente muito bom - afirmou Piñera. - Prometi vender algumas empresas, como a LAN, para poder me dedicar de corpo e alma a ser presidente e trabalhar por todos os chilenos sem nenhuma distração.

O candidato mais votado no primeiro turno, realizado em dezembro, quando obteve 44% do total das preferências, Piñera disse esperar uma apuração limpa e transparente . Apesar de ver sua diferença diminuir em relação a Frei, o opisicionista cumpre seu papel de candidato, demonstrando confiança em uma vitória forte e clara .

Por outro lado, Eduardo Frei, que já presidiu o Chile entre 1994 e 2000, aproveita seu recente crescimento nas pesquisas de intenções de voto turbinada pelo apoio recebido na última hora pelo terceiro colocado no primeiro turno, o candidato independente Ominami, para pedir que os chilenos não anulem seus votos no domingo.

Há 35 mil mesas eleitorais em todo o país, e um voto por mesa pode fazer toda a diferença. Cada voto conta declarou Frei.

A derrota de Frei no primeiro turno foi vista como uma derrota também da presidenta chilena, Michelle Bachelet, que não conseguiu fazer com que sua popularidade de 80% fosse suficiente para transferir votos ao seu candidato. Durante a campanha para o segundo turno, Piñera acusou o governo chileno de usar a máquina administrativa para auxiliar na campanha de Frei. No início desta semana, o candidato, cujo pai foi assassinado pela ditadura chilena, acompanhou Bachelet durante a inauguração do Museu da Memória e direitos Humanos, em Santiago, que reúne um acervo baseado nos anos de chumbo do país.

É abusivo o que fez o governo. Usou e abusou dos recursos, das instituições e dos funcionários públicos - criticou Piñera.

Caso o opositor vença as eleições, será a primeira vez em 20 anos, desde a derrubada da ditadura Pinochet, que a coalizão Consertación ficará de fora da Presidência.

Três em cada quatro jovens decidiram que não irão votar

No que parece representar grande desinteresse pela política, 75% dos jovens eleitores chilenos não se inscreveram para votar domingo. Segundo as leis eleitorais locais, quem não se inscreve, está isento. Em números absolutos, 3,8 milhões de eleitores chilenos são considerados jovens, e representam 30% do eleitorado total do país.

Os dados são do instituto Electoral.cl, que comparou as informações sobre o número total de chilenos entre 18 e 30 anos, e aqueles inscritos para votar.

Segundo analistas ouvidos pela BBC, o desinteresse da população jovem em relação às eleições no Chile é crescente.

Hoje, um de cada três eleitores chilenos não participa do processo eleitoral afirmou Claudio Diaz Pizarro, da Universidade do Chile.

Holzmann lembrou que no país de pouco mais de 15 milhões de habitantes, cerca de 11,5 milhões têm idade para votar, mas só 8,2 milhões se registraram.

O número de eleitores se mantém constante desde o plebiscito de 1988 quando os chilenos disseram não à continuidade do regime de Pinochet.