China: polícia impede realização de concurso para eleger Mr. Gay

Jornal do Brasil

PEQUIM - Estava tudo pronto para o grande evento. Pela primeira vez na história, a China, finalmente elegeria seu Mr. Gay. Mas a expectativa foi por água abaixo quando a polícia de Pequim proibiu, sexta-feira, o que os organizadores descreveram como o primeiro concurso de beleza gay do país. A alegação oficial para a atitude das forças de segurança era a de que o evento não tinha licença para acontecer.

O grande vencedor do Mr. Gay China representaria o país asiático em um concurso mundial, que será realizado em Oslo, capital norueguesa, no mês que vem.

É de partir o coração disse o ativista dos direitos gays Xiao Gang, que seria um dos juízes, segundo a BBC. Eles já fizeram esse tipo de coisa antes, sem dar nenhuma explicação. É claro que existe um elemento de homofobia nisso. Mas não há nada de político nesse evento.

Os policiais presentes no local, um sofisticado bar de Pequim, preferiram se esquivar de comentar o episódio, mas fizeram questão de anotar as identidades de todos os repórteres estrangeiros presentes.

Primeiro-ministro alemão

O cancelamento do evento ocorreu enquanto o primeiro-ministro alemão, Guido Westerwelle, gay assumido, estava em visita oficial à China.

Organizadores esperavam que o concurso, com direito a desfile de roupas de banho e show de talentos, fosse um marco para incentivar mudanças na sociedade chinesa, que tem uma atitude tradicionalmente conservadora com relação à homossexualidade, considerada uma doença mental pelo governo chinês até 2001, quando ativistas gays eram assediados constantemente pelas autoridades chinesas.