Uruguai investigará supostas irregularidades em embaixada na Argentina

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - O governo do Uruguai investigará supostas irregularidades em sua embaixada na Argentina, que seriam consequência do conflito diplomático existente entre os países desde 2007 devido à instalação de uma fábrica de celulose próxima à fronteira binacional.

O chanceler uruguaio, Pedro Vaz, declarou desconhecer qualquer tipo de irregularidade, mas assumiu que deve "analisar e investigar e, em função disso, adotar as decisões sobre o caso".

A revista semanal Búsqueda divulgou que, nos últimos anos, "manifestantes de Gualeguaychú invadiram por um dia o Consulado".

A publicação ainda ressalta que "a Embaixada de Buenos Aires também tem sofrido com ameaças de atentados e o desaparecimento de pastas informáticas consideradas confidenciais".

Questionado sobre o assunto, o embaixador uruguaio na Argentina, Francisco Bustillo, afirmou que "cada uma das dificuldades foram devidamente informadas tanto às autoridades argentinas como às uruguaias".

- As próprias autoridades sempre nos deram todo o respaldo necessário para seguir atuando do modo mais profissional possível em tais circunstâncias - indicou Bustillo.

Desde 2007, uma fábrica de pasta de celulose construída pelo grupo Botnia e vendida em dezembro à UPM - ambas empresas de origem finlandesa - funciona na cidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do fronteiriço rio Uruguai.

O conflito entre os dois países vem da alegação feita pelos argentinos de que a fábrica polui as águas do rio. Com isso, ambientalistas da cidade de Gualeguaychú, do outro lado da fronteira, bloqueiam desde 2006 a ponte internacional General San Martín, localizada entre os dois países.

Além disso, tramita no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, uma demanda que trata da polêmica.

Buenos Aires argumenta que a construção da indústria foi autorizada de forma arbitrária por Montevidéu, o que violaria um tratado bilateral que se refere ao rio Uruguai. A expectativa é que a decisão do tribunal saia no início de 2010.

O presidente eleito do Uruguai, José Mujica, confirmou a um emissário do governo argentino que se reuniu recentemente com ambientalista para tentar solucionar o impasse.

Fontes próximas a Mujica, que assumirá o cargo no dia 1º de março, acreditam que ele estuda ir à Argentina nos próximos dias para realizar nova negociação.

Por outro lado, o ambientalista Jorge Fritzler indicou que "não existiu nenhuma reunião formal" entre a Assembleia Ambiental de Gualeguaychú e o político uruguaio.

No entanto, Fritzler não descartou a possibilidade de um encontro ter sido realizado entre Mujica e algum membro da comunidade de Gualeguaychú.

O dirigente da Assembleia Cidadã Ambiental de Gualeguaychú José Pouler afirmou hoje ao portal Observa que convocará uma reunião "ampliada" depois do Tribunal Internacional divulgar sua sentença.