Chile: candidato derrotado não anuncia apoio para segundo turno

Agência ANSA

SANTIAGO - O deputado Marco Enríquez-Ominami anunciou hoje a criação de um novo partido político e manteve sua posição de não apoiar nenhum dos candidatos à presidência no segundo turno das eleições, marcado para 17 de janeiro.

No entanto, Enríquez-Ominami, que obteve 20,15% dos votos no primeiro turno e ficou na terceira colocação, centrou suas críticas ao postulante opositor, o empresário Sebastián Piñera, da Coalizão pela Mudança.

"Estou convencido que Sebastián Piñera não representa nenhum progresso, mas sim um retrocesso. Disse com todas as letras que com Piñera não tenho nenhuma possibilidade de chegar a um acordo, porque não entendo o mundo como ele", declarou o deputado.

Em relação ao outro candidato à presidência, o governista e ex-presidente Eduardo Frei (1994-2000), Enríquez-Ominami indicou que ele "segue sem se referir aos desafios contundentes".

Para o deputado, que concorreu de forma independente no pleito, "nossas ideias triunfaram e ficamos quatro semanas falando apenas de ideias que encampamos", em referência à decisão de Frei e Piñera de discutir diversos temas sugeridos por sua candidatura com o objetivo de se aproximar de seus 1,39 milhão de eleitores.

"Seguimos acreditando que o Chile tem que continuar mudando, com partidos abertos, porque os partidos atuais são a expressão da crise de representatividade e participação", analisou Enríquez-Ominami, um dissidente da aliança governista Concertación.

O político ainda convidou a população para participar do processo de criação do novo partido político, que deve ter o nome anunciado em março.

Partidários de Enríquez-Ominami se dividiram a respeito da divulgação de seus votos no segundo turno das eleições. O ex-deputado Esteban Valenzuela, por exemplo, anunciou que votará em Frei, por ele representar "um mau menor".

Já Marcelo Trivelli, outro dissidente da Concertación, afirmou que não tornaria pública a sua opção, pois isso seria "trair com a liberdade de ação e de consciência que pregamos" durante a campanha.

Já o pai adotivo de Enríquez-Ominami, o ex-senador Carlos Ominami, ressaltou a inclusão de algumas propostas da candidatura independente na agenda do governo após a realização do primeiro turno, como o voto voluntário e a recuperação do direito público das águas.

"São acontecimentos que vêm mudando o quadro que tínhamos até 13 de dezembro [data do primeiro turno do pleito] e, desse ponto de vista, sinto que escutaram parcialmente a esse um milhão e meio de pessoas que votou em Marco", indicou o ex-senador.