Venezuela diz ter provas de incursão aérea norte-americana

Agência ANSA

CARACAS - O governo da Venezuela assegurou ter provas para embasar a denúncia de que seu espaço aéreo foi violado por forças norte-americanas que operam na região do Caribe a partir das Antilhas Holandesas.

O vice-presidente do país, Ramón Carrizález, relatou hoje que, "no dia 17 de maio de 2009, um avião de guerra norte-americano partiu de Curaçao, violou nosso espaço aéreo e uma zona exclusiva de voo, como é a Base Aérea de La Orchila", no Caribe.

"Temos os registros dos diálogos da torre de controle com o avião, em que se perguntou se tinham autorização para sobrevoar a área e os motivos da incursão", disse. "Temos também as trajetórias do voo e as colocamos à disposição para demonstrar que Curaçao é usada para violar a soberania nacional", complementou.

A afirmação de Carrizález contraria o Comando Sul dos Estados Unidos, que havia negado qualquer invasão do espaço aéreo venezuelano e reiterou que as operações no Caribe fazem parte somente da estratégia do país para combater o narcotráfico na região.

"Todas as operações contra o narcotráfico são feitas de acordo com o Direito Internacional e os tratados assinados", enfatizou o porta-voz do Comando Sul, Stephen Lucas. "Quando realizamos incursões em espaço aéreo alheio, fazemos isso apenas com o consentimento e a aprovação do governo que controla tal espaço aéreo", afirmou.

Para Caracas, porém, Washington planeja um ataque à Venezuela, no qual teria o apoio da vizinha Colômbia, que recentemente assinou um acordo para ceder bases militares a oficiais norte-americanos.

Carrizález, que participou nesta terça-feira de uma cerimônia com oficiais da Marinha, disse que a Venezuela tem uma tradição de paz, mas isso "não quer dizer que vamos permitir que nossa soberania e nosso território sejam atingidos com impunidade". "Nosso país não vai permitir uma agressão sem uma resposta contundente", ressaltou.