Irã: governo ameaça a oposição

Jornal do Brasil

TEERÃ - O ministro do Interior iraniano, Mostafa Mohammad Najjar, disse terça-feira que manifestantes da oposição, sejam iranianos ou estrangeiros, correm risco de ser executados como inimigos de Deus , caso continuem a protestar contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O Irã também proibiu seus cidadãos de cooperarem com 60 organizações que, segundo o governo, estariam tentando desestabilizar o regime iraniano. A lista negra inclui grupos de defesa dos direitos humanos, sites da oposição e empresas de mídia internacional, como a britânica BBC e redes de TV americanas.

A ameaça de execução ocorreu um dia depois de o Ministério de Inteligência afirmar que diversos estrangeiros envolvidos em uma guerra psicológica contra o Irã foram presos em 27 de dezembro, durante a mais sangrenta manifestação popular de oposição desde a reação contra a eleição presidencial de 12 de junho, que, segundo opositores, foi fraudada para assegurar a reeleição de Ahmadinejad.

Durante a última manifestação realizada no dia de luto de Ashura, pelo menos oito pessoas morreram em conflitos entre forças de segurança e partidários do líder da oposição, Mirhossein Mousavi, enquanto mais de 40 líderes reformistas, inclusive quatro conselheiros de Mousavi, foram presos.

Após a Ashura, quem participar de protestos será considerado um mohareb (travando guerra contra Deus) e inimigo da segurança nacional disse Najjar.

Sobre a proibição de envolvimento com as 60 instituições, a nova determinação do governo torna ilegal a assinatura de contratos com as organizações ou que agrupamentos e partidos políticos recebam ajuda financeira internacional.

As autoridades iranianas pediram ainda aos cidadãos do país que evitem qualquer contato anormal com as organizações relacionadas, com representações diplomáticas e até com cidadãos estrangeiros.

O vice-ministro de Inteligência do Irã disse à TV local que os grupos banidos estariam envolvidos em uma guerra leve contra o Estado, incitando os protestos após as eleições presidenciais de junho.

A lista de organizações acusadas pelo Irã inclui ainda a Fundação Soros, o Fundo Nacional para a Democracia (NED, na sigla em inglês), o Instituto Nacional Democrático (NDI) e o Centro Democrático do Leste Europeu (EEDC).

O embaixador da China na ONU disse terça-feira que seu governo não está pronto para apoiar novas sanções contra o Irã, como solicitado pelas potências ocidentais, alegando que a questão precisa de mais tempo e paciência .