Suriname: há vários cadáveres de brasileiros, diz deputado

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O deputado estadual do Amapá, Paulo José (PR), que nesta segunda-feira se juntará à missão diplomática brasileira no Suriname, afirmou que existem muitos cadáveres de brasileiros no rio que divide o país com a Guiana Francesa e que a região onde ocorreram os ataques contra os brasileiros ainda está em conflito. Na última quinta-feira à noite, a comunidade brasileira na cidade de Albina foi vítima de um ataque que até agora deixou 23 feridos confirmados oficialmente pelos governos do Brasil e do Suriname. Relatos de vítimas e testemunhas já falam em 14 mortos.

"Existem vários cadáveres encontrados no Rio Maturi, que divide a Guiana Francesa e o Suriname. Esses cadáveres são de brasileiros mortos pelos 'marrons', quilombolas que promovem esse tipo de violência contra brasileiros", afirmou o deputado, que está acompanhando de perto a situação no Suriname através de familiares dos brasileiros que moram na cidade onde ocorreram os conflitos e também através de telefonemas que recebe diariamente do Suriname. "A população em Macapá já está assustada. A divulgação dos mortos tem sido pequena para não gerar pavor", afirmou o deputado. "As informações que tenho são de pessoas que estão lá, que viram os 'marrons' matando os brasileiros e jogando os corpos no rio".

O deputado, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Estado do Amapá, lidera uma comitiva com outros dois deputados que parte nesta segunda-feira pela manhã para o Suriname, onde deve se juntar com a missão diplomática do Itamaraty para auxiliar na busca de soluções diplomáticas para o conflito. Segundo ele, a imigração de brasileiros ilegais para o Suriname é um problema antigo, que já vinha gerando conflitos há muitos meses. "O conflito já existia e agora veio à tona", afirmou, acrescentando que "já há alguns meses ocorriam atritos entre os 'marrons' e os brasileiros".

Ataques

Nesta domingo, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou que a consulesa brasileira em Caiena, na Guiana Francesa, encontrou no município de Saint-Laurent-du-Maroni, na fronteira com o Suriname, nove brasileiros feridos em um hospital, que se somam aos 14 que estão hospitalizado em Paramaribo, capital do Suriname, após os ataques sofridos na cidade surinamesa de Albina na última quinta-feira.

As vítimas dos ataques ocorridos contra a comunidade brasileira afirmam que pelo menos quatro brasileiros estão mortos e muitos outros continuam desaparecidos. O embaixador brasileiro no país, José Luiz Machado e Costa, informou que o ataque seria uma reação ao assassinato de um surinamês por um brasileiro durante uma briga motivada por uma dívida.

Um grupo de 81 brasileiros que se refugiou inicialmente em um quartel foi transferido pelo governo local para a capital, Paramaribo. A cidade de Albina, a 130 km da capital, é o principal ponto de fronteira com a Guiana Francesa e atrai grande quantidade de garimpeiros brasileiros.

Existem tensões em Albina entre exploradores de ouro brasileiros e surinameses, incluindo ameríndios, que enfrentam uma alta taxa de desemprego. Albina, uma cidade com cerca de 5 mil moradores, é o principal ponto de cruzamento para a Guiana Francesa.

Segundo a embaixada brasileira, vivem atualmente no Suriname entre 15 mil e 18 mil brasileiros, a maioria dedicada ao garimpo. Segundo Machado e Costa, esta é a primeira vez na história que ocorre um incidente desse tipo, já que a convivência entre os brasileiros e a população local costuma ser pacífica.