Brasileiros atacados que fugiram para a Guiana vão ao Amapá de ônibus

Portal Terra

RIO - A consulesa do Brasil em Caiena, na Guiana Francesa, Ana Lélia Beltrame, afirmou que os brasileiros que fugiram para o município de Saint-Laurent-du-Maroni, após os ataques sofridos no Suriname, serão levados de ônibus para a cidade de Oiapoque, no Amapá. Segundo ela, não há registro de brasileiros mortos no lado francês da fronteira em conseqüência dos conflitos da última quinta-feira. Dos nove feridos que estavam hospitalizados neste país, apenas um ainda não recebeu alta.

A comunidade brasileira em Albina, cidade na fronteira entre Suriname e Guiana Francesa a 130 km da capital Paramaribo, foi alvo de um ataque realizado por membros de uma comunidade quilombola após o assassinato de um morador local, supostamente morto por um brasileiro. Até o momento, foram confirmados 23 brasileiros feridos na ocasião, 14 deles hospitalizados na capital surinamesa e nove deles na Guiana Francesa.

Ana Lélia, que viajou até Saint-Laurent-du-Maroni neste domingo pela manhã para prestar assistência aos brasileiros, afirmou que dos nove feridos que estavam no hospital da cidade, apenas um, que está com o ombro quebrado, permanecerá internado esta noite enquanto aguarda a realização de uma cirurgia. A consulesa também ressaltou que "não há brasileiros mortos na Guiana Francesa".

Segundo ela, a situação na cidade de Albina foi normalizada neste sábado pela manhã, com a chegada da polícia especial do Suriname na cidade, que já teria prendido alguns suspeitos do ataque. "Eu estava no hospital quando a polícia do Suriname chegou, acompanhada da polícia francesa, para interrogar os dois últimos feridos brasileiros", afirmou, acrescentando que os suspeitos que já foram presos são todos surinameses membros da comunidade quilombola responsável pelo ataque.

Ana Lélia também informou que os cerca de 40 brasileiros que fugiram para a Guiana Francesa durante os ataques serão levados de volta para o Brasil. "Vamos alugar um ônibus e levá-los de volta para o Brasil nesta segunda-feira", disse, destacando que a maioria é proveniente do Amapá. "Eles gostariam de continuar garimpando no Suriname, mas não podemos garantir a segurança deles".

A consulesa também afirmou que a comunidade de brasileiros, em sua maioria garimpeiros está muito assustada com os acontecimentos. "Eles são pessoas muito humildes e ficaram muito assustados", afirmou, confirmando que, durante os ataques, foram realizados muitos saques e incêndios em estabelecimentos comerciais de Albina, que deixaram a cidade com um aspecto de destruição.

Ataques

O embaixador brasileiro no Suriname, José Luiz Machado e Costa, visitou na tarde deste domingo a cidade de Albina e confirmou que não há registro de brasileiros mortos no conflito. Relatos de vítimas dos ataques e testemunhas afirmam que há mais de 14 brasileiros mortos.

O padre José Vergílio, que dirige a rádio Katolica no Suriname, afirmou que pelo menos sete pessoas morreram na região, sendo três brasileiros. O religioso disse ter ajudado a atender 91 brasileiros e 30 chineses feridos. Já o deputado estadual do Amapá, Paulo José (PR), que recebe informações por telefone de pessoas que se encontram na área do conflito, afirmou que existem muitos cadáveres de brasileiros no rio que divide o Suriname com a Guiana Francesa. O político, contudo, não soube precisar quantas pessoas teriam morrido.

A cidade de Albina é o principal ponto de fronteira com a Guiana Francesa e atrai grande quantidade de garimpeiros brasileiros. Existem tensões no local entre exploradores de ouro brasileiros e surinameses, incluindo ameríndios, que enfrentam uma alta taxa de desemprego. Albina, uma cidade com cerca de 5 mil moradores, é o principal ponto de cruzamento para a Guiana Francesa.

Segundo a embaixada brasileira, vivem atualmente no Suriname entre 15 mil e 18 mil brasileiros, a maioria dedicada ao garimpo. Segundo Machado e Costa, esta é a primeira vez na história que ocorre um incidente desse tipo, já que a convivência entre os brasileiros e a população local costuma ser pacífica.