Americano em poder do Talibã aparece em vídeo

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O Talibã divulgou nesta sexta-feira o vídeo de um soldado americano capturado há alguns meses, em um movimento que as Forças Armadas dos Estados Unidos chamaram de propaganda cruel , por ter sido feito exatamente no dia de Natal.

O soldado Bowe Bergdahl, que estava usando óculos escuros e vestindo um uniforme militar americano, incluindo seu capacete, aparece na filmagem dizendo seu nome, a cidade onde nasceu e fornecendo outros detalhes pessoais. Ele segue dizendo que é um prisioneiro de guerra de posse do Talibã Apesar de ter sido divulgado nesta sexta, não há confirmação em relação à data na qual o vídeo foi produzido.

Na mensagem que o soldado provavelmente foi forçado a dizer, ele critica os líderes dos EUA por seu tratamento aos muçulmanos no Iraque e no Afeganistão, e faz um alerta, dizendo que os militares americanos não podem vencer o Talibã.

Tenho medo de dizer a vocês que essa guerra nos escapou por entre os dedos e vai ser o nosso próximo Vietnã, ao menos que o povo americano se levante e acabe com tudo isso afirmou.Bergdahl.

Um porta-voz das Forças Armadas dos EUA garantiu que o conteúdo do comunicado foi feito sob coação e condenou o momento da sua divulgação.

Este é um ato horrível e explora um jovem soldado, claramente coagido a ler um comunicado preparado. Ele reflete nada mais do que a tática violenta e enganadora da insurgência Taliban , disse o almirante Gregory Smith, diretor de Comunicação da Marinha americana e membro das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. Divulgar esse vídeo no dia de Natal é uma afronta à família e aos amigos preocupados de Bowe Bergdahl, demonstrando falta de respeito com as tradições religiosas e ensinamentos do Islã. Vamos continuar a buscar Bowe Bergdahl , afirmou o almirante em um comunicado escrito.

No vídeo, Bergdahl diz ainda que seus colegas enfrentam um inimigo bem organizado e paciente. Um porta-voz do Talibã também aparece na gravação. Ele pede ao governo dos EUA que faça uma troca de prisioneiros por Bergdahl.

A captura e a detenção do soldado acontece durante o mais sangrento período no Afeganistão desde a deposição do governo Talibã, feita pelos EUA no fim de 2001, como forma de reação aos ataques do 11 de Setembro.