Farsante alertou falso atentado e enganou a CIA em 2003

Portal Terra

SÃO PAULO - Em meados de 2003, com os Estados Unidos ainda sob o temor de um novo atentado terrorista, o serviço de inteligência americano afirmou que a rede terrorista Al-Qaeda tinha agentes infiltrados em todo o território americano esperando por um código transmitido pela rede de TV Al-Jazeera. Este seria o sinal para um novo ataque, tão grande como o de 11/9. Então, de repente, nada mais se falou sobre o assunto.

Seis anos depois, a revista Playboy revelou que a CIA foi vítima de um elaborado plano criado por um homem que afirmou ter desenvolvido um software que teria descoberto como a Al-Jazeera transmitiria alertas para terroristas escondidos nos Estados Unidos. Dennis Montgomery, 56 anos, co-fundador de uma empresa de jogos eletrônicos, afirmou que seu programa lia mensagens que tinham como alvos voos e aeroportos.

A CIA levou a informação a sério, e começou a trabalhar com Montgomery, inclusive pagando a ele uma quantia não divulgada. A "inteligência" Montgomery gerou uma onda de pânico entre as autoridades americanas, que chegaram a exigir o cancelamento de voos da British Airways, além de outros voos que teriam sido mencionados nos códigos "descobertos" pelo programa do farsante, segundo a revista Playboy.

Por meses a fonte de informação foi mantida sob sigilo. No entanto, assim que o caso se tornou mais conhecido, foi logo questionado. Segundo uma declaração de um ex-oficial de contraterrorismo à revista americana, citada pelo jornal The Guardian, a farsa gerou desconforto. "Eu dizia: 'Isso é loucura. É vergonhoso'. Eles diziam que haviam quebrado o código da Al-Qaeda. Eu apenas dizia: 'Vocês sabem que isso é besteira!'", disse.

Frances Townsend, conselheiro de segurança interna do então presidente americano, George W. Bush, defendeu a decisão de trabalhar com Montgomery. "Não era possível enxergar além daquela possibilidade. Nós estávamos confiando em pessoas técnicas que nos disseram o que era ou não plausível", afirmou. As dúvidas começaram quando Montgomery não quis revelar como havia quebrado os códigos e exigiu dinheiro pelo software.