Berlusconi volta a pedir moderação no confronto político

Agência ANSA

ROMA - O premier italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que irá trabalhar "cada vez mais" em prol do interesse de todos e voltou a pedir moderação nos confrontos políticos, que devem manter um tom "de respeito e solidariedade".

Berlusconi fez a declaração ao participar, por telefone, de um comício na cidade de Verona, norte do país, realizado em sua homenagem.

- Trabalharei como antes, mais do que antes, em vista do interesse de todos - disse o primeiro-ministro, que continua em repouso em casa, onde se recupera de uma agressão sofrida há uma semana em Milão.

O chefe de Governo italiano recordou também que tal ataque "deve servir de alerta sobre como é perigoso olhar para os outros com sentimentos que não sejam os de respeito e solidariedade".

- Acredito que a todos está claro que se é dito que um presidente do Conselho [de Ministros] é corruptor de menores, corruptor de testemunhos, assassino da liberdade de imprensa, que é mafioso ou promotor da violência, uma mente perturbada, e infelizmente existem várias, pode se convencer de que pode salvar a pátria e tornar-se um herói nacional, fazendo o bem de todos os cidadãos, assassinando o tirano - continuou o premier em sua intervenção.

- A partir desta experiência devemos estar agora mais convencidos do quanto fizemos até hoje e devemos ser justos ao considerarmos os adversários como cidadãos que pensam de forma diferente à nossa, mas que têm o direito de dizer o que pensam, que não sejam vistos como inimigos, mas como pessoas a se respeitar - completou.

No domingo da semana passada, após um comício de seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), Berlusconi fraturou o nariz, teve dois dentes quebrados e um ferimento profundo no lábio superior ao ser agredido no rosto por Massimo Tartaglia, de 42 anos, que lançou uma estatueta do Duomo (catedral) de Milão contra o premier.

O italiano, que tem problemas mentais e já foi submetido a tratamentos psiquiátricos, disse ter agido sozinho, mas afirmou não ter se reconhecido e classificou o ataque como um "ato covarde".

Após quatro noites no hospital, o primeiro-ministro retornou à sua casa, localizada em Arcore, na última quinta-feira. Os médicos o aconselharam a ficar afastado das atividades públicas por pelo menos duas semanas.