Obama cede e se contenta com vitórias parciais

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Depois de semanas de atrasos frustrantes e um índice de aprovação em queda, o presidente americano, Barack Obama, decidiu se dar por satisfeito com os acordos que conseguiu obter em relação à mudança climática e à reforma do sistema de saúde. Após negociações intensas e pactos mornos, Obama decidiu declarar vitória, mesmo que os detalhes das conquistas não correspondam à visão sublime que impulsionava sua agenda.

De Copenhague ao Capitólio, o presidente aceitou os limites do que poderia conquistar na Dinamarca e nos EUA, decidindo que acordos parciais bastariam, pelo menos por ora. Em Copenhague, Obama mediou um pacto vago e não-vinculante com outras potências mundiais para lutar contra o aquecimento global e evitar o colapso de uma reunião de cúpula internacional. Em Washington, ele abençoou uma proposta enfraquecida das reformas da saúde para assegurar os 60 votos necessários para aprová-la no Senado. O senador democrata conservador Ben Nelson, cujo voto era considerado decisivo, anunciou no sábado que vai apoiar o projeto.

Nelson, que é um forte opositor do aborto, havia colocado em dúvida seu apoio à reforma por temor de que recursos federais fossem usados para financiar abortos. No entanto, após 13 horas de negociações na sexta-feira, Nelson obteve algumas garantias por parte de líderes do partido como restrições ao aborto e mais fundos para seu estado, Nebraska e acabou cedendo e garantindo seu apoio.

Com o respaldo de Nelson, os democratas somam os votos necessários para bloquear possíveis vetos da oposição republicana e levar a reforma adiante no Senado antes mesmo do Natal. Depois que o Senado votar sua versão do projeto, uma comissão formada por parlamentares das duas Casas deve trabalhar em uma versão conjunta. Caso essa versão conjunta seja então aprovada pelo Senado e pela Câmara dos Representantes, será enviada ao presidente Obama para ser sancionada.

Críticas

As conquistas de Obama não representam uma vitória definitiva, e algumas pessoas da esquerda do seu próprio partido argumentam que a súbita conclusão de ambas as negociações sinalizam o desgaste de um governo que preferiu comprometer seus princípios para rumar em direção as metas estabelecidas por Obama e assim proporcionar um choque de adrenalina na Casa Branca, ansiosa para validar seu primeiro ano de gestão.

Obama parecia encorajado pelo progresso neste fim de semana. Depois de aterrissar em Washington, vindo de Copenhague, e descansar por algumas horas, ele apareceu na sala de recepção da Casa Branca e anunciou que a decisão do senador Nelson representa um importante avanço e que, depois de quase um século de luta, a reforma da saúde poderia finalmente se tornar realidade nos Estados Unidos.

Ainda assim, Obama reconheceu que suas conquistas não eram exatamente o que tinha previsto realizar. Com relação à mudança climática, Obama admitiu que o pacto de Copenhague não é suficiente e que temos um longo caminho a percorrer . Sobre a reforma da saúde, ele observou que como ocorre com qualquer outra legislação, concessões fazem parte do processo .

Obama parece valorizar muito a capacidade de manter suas propostas em andamento, reconhecendo que a história, em geral, não se lembra do processo em si, apenas das grandes realizações de presidentes. Obama pode não conseguir aprovar a reforma da saúde que imaginava ou paralisar a mudança climática durante a sua Presidência, mas se contenta em colocar o mundo na direção certa de ações significativas.