Morre Montazeri, clérigo dissidente

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O aiatolá Hossein Ali Montazeri, ex-braço direito do imã Khomeiny que passou a criticar duramente o regime islâmico, morreu por ataque cardíaco no sábado, em Qom, anunciaram neste domingo as agências estatais do Irã. Um respeitado teólogo, Montazeri foi um dos idealizadores da revolução de 1979 e participou da elaboração da Constituição da República Islâmica.

Aos 87 anos, Montazeri morreu das consequências de várias doenças, como diabetes e problemas pulmonares, das quais sofria há anos, segundo as mesmas fontes. O funeral será realizado nesta segunda-feira, em Qom.

Assim que sua morte foi anunciada, estudantes se reuniram na universidade de Teerã para ler versículos do Corão em memória de Montazeri.

Milhares de pessoas partiram para Qom para assistir ao funeral, afirmaram parlamentares da oposição, acrescentando que o governo teme novos comícios.

Reformista

Ex-aluno do imã Khomeiny, Montazeri se firmou aos poucos como um dos líderes da revolução, até ser designado publicamente o sucessor do fundador do regime, em 1985. No entanto, Montazeri começou a criticar com cada vez mais veemência a atitude do regime de reprimir a oposição, sendo afastado do poder por Khomeiny em 1989. Ele foi colocado em prisão domiciliar na cidade santa de Qom, onde permaneceu por quase 15 anos.

A prisão domiciliar de Montazeri foi revogada em 2003, o que lhe permitiu recuperar certa liberdade de expressão, através da qual começou então a contestar a política do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Neste domingo, ao noticiar a morte de Montazeri, as agências oficiais se limitaram ao chamá-lo de senhor , sem mencionar sua qualidade de aiatolá.