Presidente palestino pede apoio para conter assentamentos

Agência ANSA

BUENOS AIRES - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu em Buenos Aires o apoio da comunidade internacional para deter o avanço dos assentamentos israelenses em territórios palestinos.

Segundo ele, se Israel aceitasse voltar às fronteiras existentes em 1967, status anterior à Guerra dos Seis Dias, as negociações seriam mais fáceis.

Abbas, que chegou à Argentina após visitar o Brasil, foi recebido nesta segunda-feira pela presidente Cristina Kirchner, que por sua vez manifestou respaldo ao direito do povo palestino de ter "um Estado e fronteiras".

A mandatária disse considerar indispensável "ter uma vontade de paz" para retomar o diálogo entre palestinos e judeus.

- Devemos atuar com muita inteligência, nem tanto com atitudes retumbantes, mas sim contribuir responsavelmente para que se retomem as negociações, que já haviam chegado, pelo menos, a critérios de aproximação e vontade para construir a paz - declarou Cristina em entrevista coletiva.

A presidente afirmou ainda que os Estados Unidos "poderiam fazer mais do que estão fazendo" em favor da retomada das negociações no Oriente Médio.

Porém, ela qualificou como "excelente" o discurso feito em junho pelo presidente norte-americano, Barack Obama, na Universidade de Cairo, no qual ele advogou exatamente em favor do retorno ao diálogo.

Segundo Cristina, a dificuldade para se chegar a um acordo no Oriente Médio reside no caráter "dogmático e religioso" que o conflito adquiriu. Por esta razão, enfatizou ela, "é complicado, nos termos do direito internacional", aproximar israelenses e palestinos.

- Nós precisamos de todos aqueles que possam dizer ao governo israelense que está equivocado e que deve retroceder nesta política expansionista e se adequar ao direito internacional, reiniciando as negociações - disse, por sua vez, Abbas.

Ele também instou o Estado judeu a aceitar o retorno às fronteiras de 1967. "Se isto ocorrer, as negociações serão fáceis. Os palestinos não impõem condições prévias, nós reclamamos que se respeitem os compromissos do Mapa da Estrada", proposta apresentada pelos Estados Unidos, Rússia, União Europeia e pela Organização das Nações Unidas (ONU), o chamado "quarteto", para tentar um acordo de paz no Oriente Médio.

A reunião ocorreu na Casa Rosada, sede do governo argentino. Posteriormente, Cristina ofereceu um almoço à delegação palestina no Palácio San Martín, onde fica o escritório da Chancelaria.