Começa investigação sobre a Guerra do Iraque

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A Grã-Bretanha começou terça-feira a investigar oficialmente detalhes envolvendo a participação britânica na Guerra do Iraque. O inquérito, que promete ser extenso, deve ser concluído apenas em 2010. Mos próximos meses, serão ouvidos militares, integrantes e ex-integrantes do governo, funcionários do serviço de inteligência e até ex-membros da Casa Branca. TAnto o ex-premier Tony Blair, como o atual, Gordon Brown, também deverão ser ouvidos. Serão apuradas as circunstâncias que envolveram a atuação britânica no Iraque, que compreende o período entre 2001 e 2009.

Três pontos principais devem ser considerados, segundo informações da BBC: A justificativa para a entrada no conflito, a preparação para a invasão do Iraque, em 2003, e a falta de planejamento para a reconstrução do país asiático .

Os primeiros depoimentos ocorreram terça-feira. Peter Ricketts, um alto funcionário do setor de inteligência do governo britânico em 2001, disse que Londres procurou se distanciar do assunto na época do debate sobre uma possível intervenção para afastar o então presidente iraquiano, Saddam Hussein, do poder. Segundo Ricketts, tal discussão, na época, existia nos Estados Unidos.

Nomeados por Gordon Brown, os membros da comissão de inquérito não vão estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal. Eles apenas emitirão advertências e recomendações, na esperança de que eventuais erros não sejam repetidos no futuro.

Tony Blair talvez tenha que responder se apoiou secretamente o plano do então presidente norte-americano George Bush de invadir o Iraque um ano antes de o Parlamento britânico autorizar a entrada do país no conflito. Documentos publicados pela imprensa afirmam que a invasão fora planejada meses antes de ocorrer, mas o mau planejamento teria enviado soldados mal-equipados ao Iraque.

Denúncia

A organuização de direitos-humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou terça-feira uma suposta conivência do governo britânico com casos de tortura aplicada a suspeitos de terrorismo em países como o Paquistão. A denúncia é o rsultado de um estudo desenvolvido pela HRW durante cinco anos. A conclusão é a de que houve cumplicidade do Reino Unido em vários casos de maus tratos a detidos.

Segundo a HRW, quatro supostos terroristas foram entrevistados por funcionários britânicos enquanto estavam presos no Paquistão e apresentavam sinais claros e visíveis de torturas.

Londres negou que agentes britânicos participassem indiretamente, solicitassem ou fossem cúmplices de abusos ou que tivessem tentado encobri-los, mas se recusou a realizar uma investigação a respeito.