Honduras: eleições serão neste domingo

Jornal do Brasil

TEGUCIGALPA - Os principais candidatos a presidente de Honduras encerram segunda-feira suas campanhas para a eleição do próximo domingo, cuja legitimidade é questionada por diversos países por causa do golpe de Estado que depôs o presidente Manuel Zelaya. Nem ele, nem Roberto Micheletti, que assumiu o cargo, são candidatos, uma vez que em Honduras não se permite a reeleição cuja proposta de consulta popular sobre o assunto, por parte de Zelaya, foi o estopim do golpe de estado.

Porfírio "Pepe" Lobo, do conservador Partido Nacional, é o favorito na eleição. As campanhas de Lobo e do seu principal rival, Elvin Santos, do Partido Liberal (o mesmo de Zelaya), transcorreram em clima de apatia por parte de um eleitorado cansado da crise política desencadeada pelo golpe. Além de Lobo e Santos, outros três candidatos disputam a Presidência.

Analistas preveem que a abstenção neste ano pode ser ainda maior que os 45% de 2005, quando Zelaya derrotou Lobo.

No último fim de semana passado o presidente deposto, refugiado há dois meses na embaixada brasileira, enviou carta aos presidentes latino-americanos pedindo apoio à sua restituição, depois de Colômbia e Panamá enviarem novamente seus embaixadores a Tegucigalpa, num sinal de relaxamento da posição inicial de condenação dos respectivos governos ao golpe.

Na carta, Zelaya diz que legitimar os golpes de Estado por meio de processos eleitorais espúrios divide e não contribui com a unidade das nações da América .

Os EUA consideram que a eleição é parte importante da solução da crise, mas não ficou claro se Washington reconhecerá o vencedor como o próximo presidente, já que inicialmente o governo Obama condenou o golpe e pediu a restituição de Zelaya.

O presidente de facto, Roberto Micheleti, deve se afastar do cargo de quarta-feira até 2 de dezembro para não influir no processo eleitoral.