Chile nega ajuda de Equador para mediar crise com o Peru

Agência ANSA

SANTIAGO - O Chile recusou que o Equador, como presidente temporário da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), seja mediador do conflito com o Peru.

A relação entre os dois países, que já era tensa devido a um processo no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, pela reconfiguração dos limites marítimos, piorou após Lima acusar Santiago de realizar espionagens com auxílio de oficiais peruanos.

Segundo anunciou a porta-voz do governo chileno, Carolina Tohá, o suposto caso de espionagens é um assunto bilateral e não será levado a instâncias regionais.

Anteriormente, o ministro chileno das Relações Exteriores, Mariano Fernández, também havia defendido esta posição, minimizando o conflito entre os dois países.

Na semana passada, no entanto, a Comissão de Relações Exteriores do Congresso do Peru aprovou uma declaração em repúdio às supostas espionagens. De acordo com o parlamentar e ex-chanceler peruano Luis González Posadas o texto seria enviado aos países-membros da Unasul e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

As denúncias por parte do governo de Lima começaram quando foi divulgada a prisão do suboficial da Força Aérea do Peru (FAP) Víctor Ariza Mendoza sob acusação de receber entre US$5 mil e US$8 mil por mês para repassar informações sigilosas ao Chile.

Outras investigações levaram à inclusão de mais três pessoas no processo: um funcionário da FAP que não teve o divulgado e dois militares, Daniel Márquez Torrealba e Víctor Vergara Rojas.

O casou gerou tamanha polêmica que até os presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e do Peru, Alan García, se envolveram.

O mandatário peruano chamou o Chile de "republiqueta" e afirmou que o país realizou espionagens porque "teme o desenvolvimento democrático e econômico" do Peru. Já Bachelet respondeu às críticas do colega pedindo "responsabilidade e respeito". Segundo ela, as declarações de García foram "ofensivas e altissonantes".