Arquivos mostram engano em caso de piloto preso após o 11 de Setembro

Portal Terra

LONDRES - Promotores britânicos não conseguiram apresentar evidências suficientes para sustentar o caso que, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, resultou na prisão de um piloto inocente por cinco meses, segundo documentos ainda não divulgados obtidos pelo jornal britânico The Guardian. Lotfi Raissi, um argelino que vive no Reino Unido, foi a primeira pessoa presa após os ataques a Nova York e Washington.

Então com 27 anos, ele foi acusado de "liderar" o treinamento de pilotagem dos sequestradores do 11/9. Ao ser preso, foi mantido em uma prisão de segurança máxima enquanto aguardava a extradição para os Estados Unidos. Segundo os documentos acessados pelo Guardian, os promotores fizeram alegações infundadas sobre o envolvimento de Raissi a partir de instruções fornecidas por dois agentes do FBI.

Além disso, uma carta confidencial da Scotland Yard ao Serviço de Promotoria da Coroa dois meses antes da liberação de Raissi contradiz a alegação que estava sendo usada para ligar o piloto a um membro da Al-Qaeda, que por sua vez teria ligação com Osama bin Laden. E, por fim, memorandos do FBI revelaram que os agentes americanos nunca quiseram a prisão de Raissi e foram informados sobre as evidências incertas contra o argelino.

As autoridades foram forçadas a considerar as reivindicações de Raissi por dano moral depois de ter ficado provado o engano. Raissi, hoje com 35 anos, continua vivendo no Reino Unido, mas diz ter ficado impossível reconstruir sua vida. Ele foi forçado a abandonar sua promissora carreira de piloto comercial. Na época dos ataques, o FBI ficou interessado no argelino porque ele treinou na mesma escola que Hani Hanjour, que jogou um avião no Pentágono.