Lugo descarta a possibilidade de golpe de Estado no Paraguai

Agência ANSA

ASSUNÇÃO - O presidente paraguaio, Fernando Lugo, respondeu aos questionamentos sobre as mudanças realizadas por seu governo na cúpula militar e rejeitou que tais alterações teriam sido uma resposta à possibilidade de um golpe de Estado no país.

Ontem, Lugo finalizou as mudanças na cúpula militar paraguaia com a troca do chefe máximo das Forças Armadas. Cíbar Benítez foi substituído por Juan Oscar Velázquez, considerado um de seus homens de confiança. Dois dias antes, ele havia destituído os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

- Nós estávamos acostumados que estes cargos fossem quase eternos. Tivemos um general do Exército por muitos anos, tivemos membros das Forças Armadas que se mantiveram em seus cargos durante décadas e creio que a instituição militar, aqui no Paraguai, é uma das poucas instituições que se adaptaram ao processo democrático - disse o governante em entrevista à emissora de TV norte-americana CNN em espanhol.

Lugo explicou também que o país tem "excelentes" oficiais jovens aos quais "é preciso dar oportunidade", e voltou a ratificar que tais modificações correspondem "única e exclusivamente ao Comandante-em-Chefe das Forças Armadas que, ao mesmo tempo, é o Presidente da Republica do Paraguai".

Sobre os rumores de que poderia ser alvo de um golpe de Estado, veiculados na imprensa desde seus últimos anúncios, o paraguaio negou tal possibilidade, embora tenha admitido que existam militares descontentes que poderiam ser manipulados por políticos.

- São interpretações forçadas daqueles nostálgicos do passado - contudo, segundo ele, "há um pequeno grupo de oficiais que poderia ser influenciado por alguns políticos que veem a possibilidade de passar por cima da vontade popular por um processo diferente".

Ainda na entrevista à emissora norte-americana, Lugo enfatizou que "o processo democrático no Paraguai é irreversível" e reiterou que suas decisões "não têm absolutamente nenhuma relação" com os tais grupos militar e político, considerados por ele "insignificantes".

Lugo, que completou em agosto passado o seu primeiro ano de mandato, tem enfrentado duras críticas da oposição, da cúpula eclesiástica e da imprensa do país, em meio a processos de que seria pai de três crianças, concebidas enquanto ele era bispo em San Pedro.

Recentemente, também veio à tona a notícia dos escândalos de corrupção nos quais o presidente estaria envolvido, com um superfaturamento de até US$ 20 milhões. E, no último mês, o sequestro de um fazendeiro alimentou ainda mais as críticas ao mandatário, acusado ainda de ser leniente ante o recrudescimento de ações do grupo armado Exército Popular Paraguaio (EPP).