Haiti ainda é instável, diz comandante brasileiro

Jornal do Brasil

PORTO PRÍNCIPE - A situação no Haiti permanece extremamente frágil e inviabiliza previsões sobre a retirada das forças de paz do país, informou ontem o general brasileiro Floriano Peixoto Vieira Neto, comandante das tropas das Nações Unidas (ONU) no país, em entrevista a agência Reuters. As missão da ONU, que reúne iniciativas civis e militares, é presidida pelo tunisiano Hédi Annabi e tem o Brasil no comando das tropas.

Os ganhos que alcançamos na segurança não correspondem ao esperado avanço socioeconômico, e por isso nós dizemos que a situação do Haiti ainda é extremamente frágil disse Floriano Peixoto, acrescentando que a situação pode mudar subitamente .

O país sofre, por exemplo, com o fornecimento irregular de energia elétrica, com constantes blecautes mesmo na capital, Porto Príncipe. No ano passado, protestos contra o aumento do custo de vida causaram a morte de pelo menos cinco pessoas.

Por causa da fragilidade do país, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti não tem uma prazo estipulado para o seu término ou mesmo para uma mudança de formato, segundo o general.

No mês passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a renovação do mandato da missão até outubro de 2010, com cerca de 7 mil soldados e pouco mais de 2 mil policiais. A intervenção militar foi iniciada em 2004 após a queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide em meio a uma revolta armada.

Pleito

O país prepara eleições para o próximo ano, mas o general brasileiro não vê a realização do pleito como uma ameaça à continuidade da missão.

Não há indicadores hoje que permitam assegurar, ou no mínimo estimar, que o resultado das eleições aqui no Haiti tenham alguma interferência ou venham a definir o curso da missão de paz defendeu.

Em maio deste ano, a ONU nomeou o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton como enviado especial ao país, com o objetivo de atrair mais investimentos ao Haiti. No começo de outubro, Clinton havia surpreendido investidores ao dizer que o país vivia o momento de menor risco político de sua história.

O Brasil participa de várias iniciativas, como a construção de uma hidrelétrica. O general Floriano Peixoto afirmou, porém, que os projetos executados pelos batalhões de engenharia do Exército brasileiro são realizados primordialmente com fins militares, e não diplomáticos ou civis.

Nesses casos, os benefícios para a população local são indiretos, segundo ele.

Quando você conserta uma estrada para uma tropa passar, para assegurar mobilidade, isso fica também para utilização da comunidade disse.

A atual missão no Haiti é a quinta da ONU no país desde 1993, contabiliza 45 baixas desde o início das operações, com 25 militares mortos, sete policiais, oito funcionários estrangeiros e cinco funcionários locais, segundo dados publicados pela missão.

O general Floriano Peixoto é o quinto militar brasileiro a comandar as Forças de Paz no Haiti. Ele ocupa o posto desde abril, mas já havia participado de contingentes anteriores do Brasil no país.

Não vejo hoje qualquer ou quaisquer indicadores que sinalizem para o término da missão aqui completou.

Na sexta-feira passada, o presidente haitiano René Préval nomeou o economista Jean Max Bellerive para o cargo de primeiro-ministro. Bellerive substitui Michelle Pierre-Louis, destituída no mesmo dia pelo Senado após um mandato de fraco desempenho, especialmente na recuperação econômica do país mais pobre das Américas.

A rápida indicação atendeu aos apelos da missão da ONU no país, que via o risco de um retorno a um período de instabilidade .