20 anos sem o Muro de Berlim: Faltam líderes no Leste Europeu

Jornal do Brasil

BERLIM - O colapso do comunismo pode ter mudado a face da Europa Oriental, mas a região continua marcada pela corrupção, má administração e a falta de fortes instituições e líderes, elementos essenciais numa sociedade saudável. Com a derrubada do Muro de Berlim, ditaduras em toda a região ruíram como castelos de areia. Poloneses, tchecos, húngaros e outros rapidamente aderiram à liberdade recém-descoberta, a possibilidade de votar em eleições justas, participar da vida pública, viajar e fazer negócios. O progresso econômico, impulsionado pelo investimento estrangeiro e a entrada de países do Leste na União Europeia entre 2004 e 2007, foi um processo rápido, porém desigual.

A democracia criou raízes, reavivando em países como a República Tcheca antigas tradições pré-comunistas. Algumas das cidades mais importantes da região, como Praga e Budapeste, mantêm uma economia mais avançada do que a média dos antigos países do bloco. No entanto, com relação à liderança política, serviços públicos e o judiciário, constata-se que esses setores foram prejudicados pela tenacidade das velhas ideias de burocratas antigos, que cresceram acreditando nelas.

Isso sugere que a era comunista prejudicou e deformou as elites das nações de maneira mais profunda do que se pensava inicialmente, quando o Muro de Berlim foi derrubado.

Vaclav Havel, o ex-dissidente preso durante anos pelos comunistas e que veio a tornar-se presidente da Tchecoslovquia em 1989, afirmou que a limpeza da política estava muito mais distante do que havia imaginado.

Admito que estava profundamente enganado quando achei que as mudanças viriam mais rapidamente. É uma tarefa que levará décadas disse Havel a repórteres poucos dias atrás.

Na Hungria, governos fiscalmente irresponsáveis conduziram á nação à beira da falência no fim do ano passado, quando a crise financeira global atingiu o país e os húngaros se tornaram extremamente céticos.

Uma pesquisa de opinião pública realizada em fevereiro mostra que a Hungria é um dos únicos países do bloco europeu onde uma maioria ainda acredita que a situação da região de um modo geral estava melhor antes das mudanças de 1989, embora a Letônia e a Bulgária não estejam muito atrás.

Vinte anos se passaram, e a grande maioria da população húngara vê estas últimas duas décadas como uma grande decepção , escreveu Peter Hack, um ex-político liberal, gerando um debate acalorado.

Homenagem

Milhares de berlinenses lotaram ontem os arredores do Portão de Brandenburgo para assistir ao show da banda irlandesa U2, que serviu de abertura para as comemorações que o local receberá na segunda-feira, para lembrar o 20º aniversário da Queda do Muro de Berlim.

Distribuídos via internet, os 10 mil ingressos gratuitos para o show se esgotaram em apenas três horas. A cerimônia faz parte da festa de premiação da MTV Europe.