Vaticano não se pronuncia sobre sentença contra crucifixos em escolas

Agência ANSA

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano anunciou que não fará comentários antes de se informar sobre as motivações que levaram a Corte Europeia de Direitos Humanos a emitir uma sentença contra a exposição de crucifixos em escolas.

- Acredito que é preciso uma reflexão, antes de comentar o assunto - disse o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, durante uma coletiva de imprensa para apresentar uma convenção sobre imigração.

A mesma posição foi defendida pelo presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes, monsenhor Antonio Maria Vegliò. - Prefiro não falar desta questão do crucifixo porque são coisas que me dão muito desconforto - disse.

A Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, emitiu hoje uma sentença na qual o governo italiano terá que pagar cinco mil euros de indenização por danos morais a Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa.

A decisão refere-se a um recurso apresentado por Lautsi contra a exposição de crucifixos em instituições de ensino.

A Corte Europeia entendeu que a presença dos objetos em escolas constitui "uma violação dos pais em educar os filhos segundo as próprias convicções" e uma "violação à liberdade de religião dos alunos".

A sentença é a primeira em absoluto no âmbito de exposição de símbolos religiosos em locais de ensino.

Em 2002, Lautsi tinha pedido para o instituto público "Vittorino da Feltre", localizado na cidade de Abano Terme, província italiana de Padova, frequentado pelos seus filhos, retirar os objetos. Mas a solicitação foi negada.