Impasse sobre recondução de Zelaya está nas mãos do Congresso

Agência Brasil

TEGUCIGALPA - Os seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, começaram hoje uma vigília em frente ao Congresso e dizem que só vão sair quando os deputados votarem a recondução ao cargo. Um dos manifestantes, Juan Vásquez, afirmou que os deputados têm a obrigação de devolver a credibilidade ao povo.

A polícia hondurenha montou um cordão de isolamento para impedir o acesso ao prédio. Mas, em dias normais, a maioria dos 128 deputados não vai ao Congresso porque está em campanha pela reeleição. Com dificuldade de quorum para a votação em curto prazo, Zelaya fez um apelo à comunidade internacional para que fiscalize o cumprimento do acordo.

Ele já deixou claro que só se voltar ao poder vai reconhecer o governo de unidade e reconciliação nacional, previsto para ser formado nesta quinta-feira. - Sempre, nesses acordos, existe a possibilidade de manipulação, de jogos obscuros, contra os quais devemos nos manter alertas até o seu cumprimento - afirmou o presidente deposto.

Os representantes do governo golpista sinalizaram que não há pressa para a votação e que Roberto Micheletti vai se encarregar de criar o governo de transição. O secretário de Assuntos Políticos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Victor Rico, confirmou que não há prazo para a votação sobre a recondução de Zelaya. - Não há limite fixo para os procedimentos do Congresso. Ele terá o tempo necessário para tomar uma decisão - disse Rico.

Enquanto o impasse político em Honduras gira agora em torno do Congresso, a comissão da OEA que vai fiscalizar a execução do acordo começa a trabalhar nesta terça-feira. Está prevista a chegada dos dois representantes internacionais que vão integrar a comissão: o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos e a secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solis. A comissão terá ainda um representante dos governos golpista, Arturo Corrales, e deposto, Jorge Reina.