Chanceleres de Equador e Colômbia reúnem-se hoje

Agência ANSA

BOGOTÁ - Os chanceleres de Equador, Fander Falconí, e Colômbia, Jaime Bermúdez, reúnem-se nesta terça-feira em uma pousada na cidade de Cotacachi, a 60 quilômetros de Quito, para avançar no processo de retomada das relações entre os dois países.

O encontro está incluído na Comissão de Assuntos Sensíveis, que é liderada pelos próprios ministros e faz parte de um conjunto de três grupos de trabalho formados no início de outubro com o fim de concretizar o restabelecimento das relações.

Reuniões das Comissões de Segurança e Controle da Criminalidade e de Desenvolvimento Fronteiriço estavam previstas para acontecer nos dias passados, mas as atividades foram suspensas por solicitação de Bogotá.

Em 9 de outubro, um juiz da província amazônica de Sucumbíos pediu a prisão do comandante geral das Forças Armadas da Colômbia, Freddy Padilla, por sua participação no ataque a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em território equatoriano.

A ação, realizada em março de 2008, foi o que motivou o rompimento das relações entre os dois países. Na ocasião, 26 pessoas morreram, incluindo um dos chefes da guerrilha na época, Raúl Reyes.

Em 24 de setembro deste ano, os governos dos dois países publicaram um comunicado conjunto no qual anunciaram sua vontade de lançar um "diálogo direto" para retomar as relações.

Descontente com o pedido de prisão do funcionário de seu governo, Bogotá rechaçou a demanda da Justiça equatoriana e requereu o adiamento das reuniões com Quito. Como parte do mesmo processo, também foi pedida a prisão do ex-ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos.

O governo do presidente Álvaro Uribe não reconhece os processos iniciados contra as autoridades colombianas por juízes equatorianos, enquanto o país vizinho defende a independência das funções.

Os pontos conflituosos serão abordados com a ajuda da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter, que estarão presentes também na reunião de hoje.

Outro ponto de discórdia surgiu na quinta-feira da semana passada, quando Caracas denunciou uma suposta espionagem promovida pelo Departamento Administrativo de Segurança da Colômbia (DAS) contra a própria Venezuela, Cuba e Equador.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, anunciou na sexta-feira em Moscou, onde estava em visita oficial, que investigaria as denúncias e assinalou que, se elas fossem comprovadas, seria algo "extremamente grave" e que dificultaria "seriamente" a retomada das relações com a Colômbia.